O nosso tour pelo Outback Australiano

O outback é bruto, natureza nos seus extremos: muito calor de dia, muito frio de noite, secura, areia vermelha e moscas (muitas e muitas!). Desafio, desconforto, mas ao mesmo tempo uma magia única envolve aqueles que decidem conhecer o deserto que domina a maior parte do território australiano.

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Não é só pelas belezas que a natureza revela pelo deserto que essa área é especial. O outback é sagrado, intimamente ligado a história dos aborígenes. Os nativos da Austrália possuem toda uma cultura espiritual ligada a algumas partes do deserto, acreditando que espíritos maiores estão presentes em algumas estruturas. Por isso, o mais importante ao se visitar esses lugares sagrados é respeitar!

A grande e principal atração do deserto é o monólito de Uluru (na linguagem aborígene) ou Ayers Rock. Pela região ao redor, cânions e outras formações rochosas adicionam mais belezas a viagem.

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Como visitar o deserto?

Ao redor dessa área principal de Uluru (mas não é a única pois existem várias atrações por todo o deserto), há dois aeroportos: o de Ayers Rock e o de Alice Spring. O primeiro é o mais perto de Uluru e o segundo tem muito mais opções de vôos.

Pela combinação de horários e pelos preços, fomos de Sydney para Ayers Rock e voltamos de Alice Spring para Melbourne. O vôo de ida foi pela Virgin Australia e o de volta pela Qantas.

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Uluru e uma das suas cores

Para visitar o monólito de Uluru é importante ou estar hospedado em Ayers Rock ou embarcar em um tour de mais de um dia. Desde Alice Spring, a distância é muito grande para um bate e volta.

A hospedagem em Ayers Rock é dominada por uma única rede de hotel (Ayers Rock Resort) que possui quartos de 5 tipos, desde os mais exclusivos e caros até um camping. Há opção de albergue também, em que se divide quartos com mais três pessoas. Para fazer os passeios, o hotel oferece inúmeras excursões para preencherem o dia. Barato é uma palavra difícil quando se fala do deserto e para mim ficar nesse resort mais fazer os passeios sairia muito caro.

A outra opção usada pelos mais “mochileiros” ou aventureiros (e os que não querem gastar os tufos todos), são os tours. Obviamente, existem excursões de todos os níveis. Nós escolhemos uma de 3 dias e 2 noites acampando pelo deserto. Há duas empresas principais que fazem esse tour: The Rock Tour e Emu Run Tour.

Mandei e-mail e li sobre os dois. O percurso é exatamente o mesmo. Contudo, os lugares em que se dorme são diferentes. No The Rock Tour, na primeira noite, não haveria chuveiro e o banheiro era um buraco no chão. Nossa, isso me assustou demais! Imagina andar o dia inteiro em um calor extenuante e não poder tomar um banho? Mas aí achei a Emu Run Tour que, pelo mesmo preço, oferecia um acampamento com banheiros e chuveiros. Fechamos com eles por AUD 350 por pessoa com tudo incluído, inclusive bebidas e comida.

Para começar o tour pode se sair de Alice Spring as 6 hrs da manhã ou do aeroporto de Ayers Rock as 12 hrs, 12:40 ou 14 hrs. Chegamos no aeroporto de Ayers Rock, que é super micro e ficamos esperando. Exatamente as 12:40 hr chegou nosso micro ônibus. Importante ressaltar que o espaço para a mala é muito pequeno e eles recomendam fortemente que se deixe as malas maiores em um hotel e viaje só com uma mochila. Nós não tínhamos essa opção porque viemos direto do aeroporto. Nossas duas malas maiores ficaram em cima do carro e sem termos acesso a elas. Por isso, deixamos tudo preparado que precisaríamos em nossas malas pequenas.

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O que levar em uma viagem ao deserto?

Vale aqui ressaltar o que de fato é necessário para se estar bem preparado para o deserto. Nós fomos em outubro e o calor era intenso, mas o frio não foi tão cortante pela noite.

Segue uma lista do que não se pode esquecer:

– Roupas confortáveis para o dia. Se possível levar calças que viram bermuda para usar na madrugada ao ver o nascer do sol e tirar quando o sol esquentar. Tênis, chinelo e meia.

– Casaco de malha e Calça de moleton ou legging para a noite

– Toalha (levei aquelas dobráveis que secam super rápido e não ocupam lugar)

– Óculos de sol e Boné

– Protetor Solar e Hidratante (passei muito porque é realmente seco, como se espera de um deserto)

– Flynet (ver a explicação mais embaixo)

– Lenços umedecidos (apesar de ter papel higiênico em quase todos os banheiros)

O Tour:

Primeiro Dia

Sentamos no nosso micro ônibus, ganhamos um saquinho com nosso almoço (sanduíche, bolo e barrinha de cereal) e já fomos direto para o Centro Cultural onde fica o Uluru. Pausa para entender um pouco a história dos aborígenes e da relação deles com aquela área. Aproveitamos também para comprar o flynet, que é uma rede que se coloca abaixo do chapéu para evitar as moscas. Sim, é um investimento bastante necessário!

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Flynet essencial no deserto

Partimos para uma caminhada guiada pela região do Kapi Mutitjulu. Passamos por algumas cavernas com desenhos feitos pelos aborígenes para ensinar os meninos mais jovens a caçar e a sobreviver. Vimos algumas fontes de água (sim, em pleno deserto!) que é o que possibilita que existam várias espécies de animais, como pássaros e cangurus, ali no meio do nada.

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Fonte de água

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Em seguida, era a vez de circular de fato o Uluru. Aqui vale uma explicação. O Uluru é o maior monólito do mundo e tem 9,4 km de circunferência. Os jovens aborígenes precisavam passar por uma prova final para se tornarem adultos. Eles passavam algum tempo no deserto, sobrevivendo com o que aprenderam e, ao final, precisavam escalar o Uluru para finalmente se tornarem um adulto. Assim, esse monólito é muito importante para o povo aborígene e eles pedem para não o escalarem, assim como para não tirar fotos de algumas partes específicas.

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Era possível escolher dar a volta completa, uma de 4 km ou uma menor de 1 km. As 14 hrs, em pleno sol de rachar, escolhemos a menor delas. Foi muito gostoso conhecer esse pedaço sagrado do deserto assim tão de perto.

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No final do dia, fomos até um ponto específico em que se observa o pôr do sol do Uluru. O sol vai caindo e o Uluru mudando de cor. É algo realmente mágico! Para complementar, nosso guia fez um yakissoba que seria nosso jantar e brindamos com champagne.

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Para terminar fomos para nosso acampamento. Nesse dia dormimos em swags que são uma espécie de saco de dormir, mas com colchão dentro. Além disso ainda tínhamos um saco de dormir, lençol limpo e travesseiro. O banheiro era em um caminho um pouco escuro, mas muito limpo e organizado. Realmente fantástico dormir sob as estrelas!

Segundo Dia

Dia de madrugar as 4 da manhã! Arrumar tudo rápido, tomar café e partir para ver o nascer do sol do Uluru, com a Kata Tjuta ao lado. Sensacional!

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Daqui seguimos até a Kata Tjuta para um trekking de 5,5 km. Também conhecida como Olgas, são pedras grandes bem antigas que exibem belas paisagens e também são sagrados para os aborígenes. Vale uma observação que em todos os lugares em que fomos no deserto, sempre há uma infra com bebedouros para encher a garrafa de água e banheiros. Além disso, no nosso micro ônibus havia sempre dois grandes tanques de água para recarregarmos as garrafas.

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De lá seguimos para o resort Ayes Rock para irmos no supermercado. Voltamos ao acampamento da noite anterior para almoçarmos. Wrap recheado com carne moída e vegetais.

Nossa tarde foi na estrada rumo ao outro acampamento em que passaríamos a noite. No caminho paramos para pegar lenha em um terreno e para ver um deserto de sal.

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Nessa noite tinha a opção de dormir em barracas com camas dentro. Bebemos uma cerveja gelada e assistimos ao pôr do sol dali. O jantar foi um churrasco com carne de canguru, batata e um pão sensacional típico dali, ao redor da fogueira.

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Terceiro Dia

De novo acordamos cedo porque iríamos fazer o trekking no Kings Canyon de 6 km e intensidade alta. Nós acabamos fazendo uma caminhada leve alternativa pela parte de baixo do cânion, com vistas de tirar o fôlego também.

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Voltamos ao camping para almoçar hambúrguer de camelo e bovino dentro do wrap. Depois a tarde foi na estrada a caminho de Alice Springs.

No caminho paramos em uma fazenda para andarmos de camelo! Por AUD 7 se dava uma volta nele bem divertida, com direito a corrida no final.

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Chegamos em Alice Spring e fomos para o hotel que previamente tínhamos reservado (Diplomat Motel). Um oásis depois de duas noites pelo deserto. Ar condicionado geladinho, quarto espaçoso e piscina. Jantamos no restaurante do hotel e apagamos. O pessoal do tour combinou de se encontrar na noite, mas nós não aguentamos ir.

No dia seguinte, reservamos um transfer para ir ao aeroporto de Alice Spring com a Alice Wanderer.

O saldo final foi uma experiência incrível, daquelas que é preciso fazer uma vez na vida. Conhecer as belezas e as histórias do deserto, ao lado de diferentes pessoas, de todas as nacionalidades, dormindo sob as estrelas realmente foi incrível!

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