Rolé Carioca – Tour pelo Centro do Rio de Janeiro

Esse ano minha cidade maravilhosa está fazendo 450 anos e dentre várias atividades que estão rolando acabei encontrando o Rolé Carioca. Um grupo de professores da Estácio organiza, já há três anos,  tour por diferentes lugares do Rio contando a história que muitos cariocas não conhecem. Conheça melhor o projeto aqui.

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Ver o Largo da Carioca por cima é ou não diferente?

Em um domingo ensolarado, eu e minha trupe, fomos a Ladeira da Misericórdia, em pleno centro do Rio fazer o rolé carioca pelo centro do Rio de Janeiro.

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O Rio é uma cidade cheia de morros e, há 450 anos, o centro do Rio era muito diferente do que vemos hoje. Quatro morros formavam a paisagem dali: Morro do Castelo, Morro de Santo Antônio, Morro de São Bento e Morro da Conceição.

A Ladeira da Misericórdia, onde começou nosso trajeto, era a que dava acesso ao antigo morro do Castelo. Logo ali na frente estava a Baía da Guanabara, bem mais perto do que vemos hoje, onde chegavam os navios. Naquela época ali era o lugar mais importante do Rio! Área nobre era o Morro do Castelo e por isso foi dado ao jesuítas para ali morarem e catequizarem os índios. Hoje a Ladeira ainda existe, mas não dá em lugar nenhum!

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Continuamos nossa caminhada pela Rua Santa Luzia. Hoje cheia de carros durante a semana, esta rua  já esteve à beira do mar. A Igreja de Santa Luzia era voltada justamente para o mar.

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E chegamos na Rio Branco. Antigamente chamada de Av Central, quando foi aberta por Pereira Passos era a avenida mais larga da cidade. Era tão importante que para andar por ali, homens precisavam usar terno e mulheres chapéu. Imagina se ele visse a Rio Branco de hoje em dia, ao meio dia durante a semana…

Em uma esquina mágica, temos a Biblioteca Nacional, Museu de Belas Artes e Teatro Municipal. Este, uma cópia da ópera de Paris, é lindo demais! Ainda quero fazer o tour pelo interior do teatro.

Próxima parada: Largo da Carioca. Eu, que passo ali todo dia, correndo sempre, com centenas de pessoas para lá e para cá, nem sabia que ali ao centro existia uma grande fonte onde as pessoas lavavam roupas e bebiam água. Não existia encanamento anos atrás e o acesso a água era assim.

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Detalhes de um Largo da Carioca vazio

E ali, naquela área nobre do Rio de antigamente, se divisava o “Sertão” do Rio, que ia dali até Santa Cruz. O Sertão era nosso manguezal, desabitado e separado da área nobre do Rio que ficava ali pertinho da Baía da Guanabara. A Tijuca de outrora, então, era uma grande fazenda.

Ali no Largo da Carioca fica o Morro de Santo Antônio,. Como esse era o morro mais afastado da Baía de Guanabara, foi dado para a ordem religiosa mais simples e menos valorizada na época: os franciscanos. O mais nobre dos morros ficou para os jesuítas como falei ali em cima e o outro, ainda perto da baía, foi dado para os beneditinos (onde hoje está o Mosteiro de São Bento).

Passei a porta verde do Largo da Carioca, que nunca tinha nem visto na correria do dia a dia, e subi até o Convento de Santo Antônio. Domingo de Ramos e uma igreja simples e encantadora, com uma vista diferente do centro da cidade.

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A Carioca vista de cima

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Continuamos passando pela Rua 7 de setembro, a antiga Rua do Canal, onde a água que vinha dos aquedutos da Lapa passava limpa para abastecer as fontes e as pessoas. Mas logo ali, na esquina, está a Uruguaiana, antiga Rua da Fossa. Imagine porque… as noções de higiene não existiam como hoje. Os lixos e os dejetos eram descartados ali mesmo, na rua. Um dia, o prefeito passando por ali, recebeu um bom presente dos céus, instaurando uma lei que proibia se jogar os dejetos do pinico pela manhã sem antes gritar “Água vai”.

Observar os lindos sobrados do Centro, onde as pessoas tinham seu comércio embaixo e suas casas no andar de cima, vale a pena. Como deveríamos cuidar muito mais do nosso patrimônio.

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20150329_125807A caminhada agora é grande e vamos em direção a região portuária, a região das obras e que será revitalizada para as Olimpíadas. Primeiro visitamos o MAR – Museu de Arte do Rio. Em 15 minutos, não conseguimos ver as exposições. Mas deu para ir ao Mirante ver as futuras obras e promessas dessa área, inclusive vendo o grandioso Museu do Amanhã. No térreo, dá tempo de ver uma obra colorida e que retrata um pouco do colorido das favelas cariocas.

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Andemos mais um pouco e vamos chegar ao Cais do Valongo e da Imperatriz. Nas escavações recentes das obras portuárias, foram encontradas as pedras do antigo cais que presenciou muitos momentos da escravidão no Brasil. Ali desembarcavam barcos vindos da África lotados de escravos. No percurso, em média, 30% dos escravos morriam. E por isso, ao lado do Cais tinha uma cemitério que foi descoberto embaixo da casa de uma moradora da vizinhança. Também ao lado do Cais ficava a Casa do Engorda. Os escravos chegavam muito magros e precisavam passar um tempo ali engordando antes de serem vendidos.

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Cais do Valongo

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Antiga Casa do Engorda virou uma Fábrica de Tecidos

Em 1843, a Imperatriz Tereza Cristina, que vem ao Brasil para o casamento com D. Pedro II, desembarca ali também. Para sua chegada, o cais é reformado, com uma nova camada de pedras. Muito interessante ver os níveis de camadas de pedra. No mais abaixo, ainda vemos as conchas incrustadas, mostrando aonde o mar chegava.

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Daqui seguimos ao Jardim Suspenso do Valongo. Pereira Passos cria esse jardim copiando os parques franceses da época. Esse jardim fica na beira do Morro da Conceição. Ali temos a Casa da Guarda. Vamos explicá-la! Na frente desse morro fica o Morro da Providência. Morro esse que começou a receber os guerrilheiros que voltavam da Guerra dos Canudos e aguardavam a promessa do governo de providenciar moradia a eles. Claro que a promessa não foi cumprida e o morro cresceu, virando o Morro da Providência. Para proteger os mais abastados que moravam no Morro da Conceição dos mais humildes do Morro da Providência, veio a  Casa da Guarda.

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Para fechar com chave de ouro o tour, fomos a Pedra do Sal. Por ali, passaram milhares de escravos carregando o sal que chegava a cidade. Depois,  foi ali que nasceu o samba. E até hoje é ele que reina, as segundas e sextas, animando os cariocas.

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Foi ou não um banho de história? Por isso não perderei o próximo que será por Niterói!

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