Roteiro de 2 dias em Belém do Pará

Belém é uma cidade cheia de história e que permite um contato com a natureza incrível, além de ser berço da maior manifestação religiosa do país: o Círio de Nazaré.

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Estivemos lá no último carnaval, como contei aqui. Para fazer este roteiro, misturamos uso de táxi, a pé e com um guia. Bateu uma certa insegurança para andar pelo centro da cidade e, por isso, preferimos contratar um guia. Melhor decisão! Nosso guia era muito bom!! Sabia tudo da cidade e ainda era gente muito boa. Éramos só eu e João, o guia e um motorista. Fechamos através do e-mail com a Logantur.

Comecemos pelo começo, ou seja, pelo Centro Histórico. Belém era ocupada pelo índios Tupinambá e, devido a sua posição estratégica de acesso a Floresta Amazônica, sofria invasões de diferentes países: França, Holanda e Inglaterra. Então Portugal resolve enviar uma tropa para iniciar a ocupação desta região brasileira. No dia 12 de janeiro de 1616, Francisco Caldeira Castelo Branco, funda a cidade chamada de Feliz Lusitânia. O início é marcado pela fundação do Forte do Presépio que recebeu esse nome pois o Francisco Castelo Branco saiu do Maranhão rumo a Belém justamente no dia 25 de dezembro. Em 1619, os índios tentam atacar os portugueses no forte acusando-os de violentarem suas mulheres. O forte, que era feito de palha e terra, é reconstruído e passa a ser chamado de Forte do Castelo. Ao longo dos anos, o Forte foi usado como hospital e hoje é tombado. Pode-se visitar o forte que inclui um museu contando a história da cidade e conserva os canhões originais. É agradável passear pelo exterior do forte, observando a Baía de Guajará.

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Ao lado está a Casa das Onze Janelas, construída no século XVIII para servir de moradia a um rico proprietário de engenho chamado Domingos da Costa Bacelar. O governo comprou o edifício em 1768 para servir como hospital, função que desempenhou até 1870. Hoje funciona como um espaço para exposições. A parte que fica virada para a Baía de Guajará é bem agradável para uma pausa.

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Na agradável praça do centro histórico podemos encontrar também a Catedral ou Igreja da Sé que teve sua construção iniciada em 1748. É dessa igreja que hoje sai a imagem que é carregada durante o Círio de Nazaré até a Basílica.

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Do lado oposto a Catedral está o atual Museu de Arte Sacra, localizado na Igreja e Colégio de Santo Alexandre. Este era um antigo complexo jesuíta cujo colégio funcionou até a expulsão destes do Brasil. Dizem que é um museu bem interessante. Infelizmente não conseguimos visitá-lo.

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Antes de seguir, mais umas curiosidades que aprendemos sobre Belém. No final do século XIX, buscando aplacar o calor da cidade, o governador Antônio Lemos trouxe sementes de mangueiras, originárias da Índia. Hoje, existem verdadeiros corredores de mangueiras pela cidade que é conhecida também como a Cidade das Mangueiras. Em Belém também foi muito importante a borracha no século XIX. Milhares de pessoas chegaram para a extração das seringueiras. As técnicas eram bem primárias. Ingleses também vieram para a cidade nessa época e, um deles, queria testar uma nova técnica para reaproveitar resquícios das seringueiras que caiam no chão. Portugal não aceitou, mas deixou eles catarem esses restos. Pois bem, os ingleses levaram para a Malásia e região do Sudeste Asiático e lá plantaram seringueiras, tornando estes países os maiores exportares de borracha do mundo hoje em dia.

Bastante importante na história de Belém foi também a Revolta dos Cabanos ou Cabanagem. Movimento popular bastante importante que ocorreu entre 1835 e 1840 feito por pessoas pobres que viviam em cabanas à beira do rio. O movimento teve muita força e conseguiu derrubar o governo regencial por cinco anos, tornando independente o Grã Pará. Ao final, os revoltosos foram derrotados e a cidade foi reincorporada ao Brasil.

Continuamos de carro pelo centro de Belém. As casas remetem a época dos portugueses, com muitos azulejos. Algumas foram reformadas, outras estão em estado bem precário (ai Brasil, cuida da sua história!). Nesse caminho encontramos um verdadeiro tesouro. Um palacete que já serviu para abrigar bailes de luxo e reuniões de políticos, criado em 1897, em pleno auge da borracha, para abrigar a família do Comendador Antonio José de Pinho. Apesar de um passado recente de abandono, hoje o Palacete Pinho foi reformado e deve abrir, em breve, ao público.

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Hora de conhecer o mais famoso e maior feira ao ar livre da América Latina: o Mercado Ver o Peso. Inaugurado em 1625, sua principal função era pesar todos os produtos para cobrar os impostos para Portugal. Com o tempo foi ampliado e, na época do auge da borracha, ganhou construções imponentes, como o Mercado de Carne. Foi por ele que começamos nossa visita. Importado da Escócia, o mercado se encontra na frente do mercado, sendo necessário atravessar a rua. No meio, há uma escada em caracol que já serviu para depósito de água e depois para que fiscais ficassem ali do alto controlando tudo. Além de carne, uma das barracas vende produtos feitos pelos próprios índios que ainda existem no interior do Pará. Bem interessante.

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Partimos para o Mercado de Peixe. Antes, vale a pena dar uma olhada no local onde os navios chegam toda madrugada, tanto trazendo açaí quanto peixe fresco. As casas coloridas na beira da água e a arte de rua impressionam (obs: este foi um dos lugares em que me senti mais insegura e agradeci por estar com o guia). Entramos no mercado do peixe, que vende todo tipo de frutos do mar típicos da região: piranha, acari, tamatuatá, filhote, pescada amarela, pirarucu etc.

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Saindo, entramos num mundo de barracas, pessoas, cores e cheiros. Primeiro é a ala das benzedeiras. Solução para unha encravada, para todos os tipos de doença, para “pegar homem”, para amansar sogra etc. Bem divertido! Depois passamos por barracas de artesanato e paramos para tomar um suco de açai e bucuri, além de garantir uma geléia de cupuaçu.

Hora de conhecer a fabricação da maniçoba. Comida típica da região, é tipo uma feijoada, mas feita da árvore da mandioca. Só que no caso, é a mandioca selvagem que precisa ferver por 7 dias para perder o veneno! Dessa mesma mandioca é extraído o tacacá que é usado em muitas comidas, além de ser base para uma das pimentas mais usadas por lá.

Passamos pela ala das comidas. Muitos paraenses passam ali para comer o verdadeiro peixe de açaí do Pará. Para terminar, vem as barracas de frutas típicas e da castanha do pará. Feita de forma artesanal, cada semente da castanheira tem de 6 a 7 castanhas. Depois de aberta, manualmente, vai se descascando cada castanha. Vimos pais e filhos trabalhando nessa atividade, que passa de geração para geração.

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De carro fomos até a Basílica de Nazaré, a mais famosa igreja de Belém, palco do Círio de Nazaré. Essa região, onde hoje está a basílica ficava a beira do igarapé. A imagem da Nossa Senhora de Nazaré foi encontrada por Plácido José de Souza em 1700. Ele era dono de uma hospedaria que ficava ali na região. Levou a imagem consigo. No dia seguinte, quando foi lavar o rosto, viu que a imagem estava ali, onde tinha sido achada. Achou estranho e a levou de volta. No dia seguinte, novamente a imagem ali estava. E isso se repetiu por um tempo, até ele entender que Nossa Senhora não queria sair do local onde tinha sido encontrada. A partir daí, resolveu construir uma igreja para a imagem. Hoje a Basílica se tornou palco de peregrinos e devotos do mundo inteiro. A Basílica é inspirada na Basílica de São Paulo Extramuros, em Roma (que visitamos como contei aqui). O círio, que acontece no segundo final de semana de outubro, começa com a eleição do manto que irá na imagem. A imagem saí da Catedral e vem dentro de uma berlinda (espécie de casa) e puxada por cordas. As cordas começaram em 1855, quando a berlinda atolou e colocaram a corda para desatolá-la. A partir daí, os animais saíram e quem passou a levar a berlinda foram as cordas. O destino final da imagem é a Basílica de Nazaré. No ano de 2015, foram mais de 2 milhões de fiéis participando do evento!

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Para terminar nossa visita a Belém, visitamos por conta própria o Mangal das Garças. Um parque, perto do centro histórico, que parece um oásis da natureza. A ideia é representar as espécies da Amazônia tão típicas da região. Andar por ali é certeza de ver muitos pássaros e outros animais soltos, no meio de uma linda vegetação.

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É gratuito, mas existem quatro atrações pagas. Compramos o ingresso que dava entrada aos quatro por R$ 15. Primeiro, fomos ao borboletário, onde vimos borboletas soltas e vitórias régias!

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Depois, subimos a torre de observação (de elevador!) e a vista lá do alto era incrível! A vista do rio e da cidade de Belém do alto vale a entrada.

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Hora do aviário, onde vimos várias espécies de aves voando por entre a gente. São pássaros que estavam machucados e foram levados ao hospital veterinário do parque. Quando estão um pouco melhor, são ali soltos.

A última atração eu não gostei muito não. É um museu que mostra as embarcações da região ao longo do tempo. Mas vale, ao sair do museu, subir a escadaria que leva ao restaurante que há ali (bem famoso e caro) e andar até o mirante sobre o rio.

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Em dois dias, é possível fazer este roteiro com muita calma e incluir duas atrações que, infelizmente, não fomos pois estavam fechadas no Carnaval: Theatro da Paz e Parque Emílio Goeldi.

Belém é surpreendente em suas atrações e, ainda mais, em suas comidas que deixarei para um próximo post.

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