Cartagena e seu Centro Amuralhado

Cartagena é a cidade mais turística da Colômbia e cheia de história no labirinto de suas ruas (escrevi um pouco sobre a história da cidade aqui).

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Andar pelo centro histórico, no meio de muitas casas coloridas, se perder nas pequenas ruas e admirar construções belíssimas é o prato cheio de um turista nesta cidade.

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Nós começamos nossa viagem fazendo um Free Walking Tour que foi ótimo para ter uma primeira ideia geral da cidade.

Comecemos do começo, ou da principal porta de entrada da antiga cidade amuralhada: La Torre del Reloj. Na verdade, a porta de entrada se chamava Boca del Puente pois tinha um ponte elevadiça que permitia ou não a passagem. Foi construída em 1601. A Torre del Reloj que vemos hoje, acima da entrada, só foi criada em 1911, para celebrar os 100 anos de independência de Cartagena.

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Torre de Reloj e Entrada para Cidade Amuralhada

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Vista por dentro da cidade

Nessa hora vale dar uma escapada para fora da cidade e, primeiro, ver a vista completa da entrada junto às muralhas e da Plaza de la Paz. O calçadão logo em frente é uma homenagem aos que lutaram pela independência e foram fuzilados neste local – Paseo de los Mártires. De um lado do calçadão ficam duas esculturas de cavalos, Monumento a los Pegasos, que representam dois cavalos da mitologia grega. Atrás fica o imponente Centro de Convenciones. Do outro lado está a entrada para o Parque del Centenário, construído em homenagem a independência da cidade. Vi muitas pessoas andando por ali, passando enquanto voltavam do trabalho, descansando. Seguindo pelo calçadão, chega-se ao bairro de Getsemaní. Não entramos nas ruas deste bairro, conhecido também pelos grafites de suas ruas, mas conhecemos a Iglesia de La Tercera Orden, onde os militares recebiam as honras antes de serem enterrados.

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Pôr do Sol visto do lado de fora

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Muralhas por fora

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Entrada do Parque Centenário

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Iglesia de la Tercera Orden

Entrando para a cidade amuralhada de novo, a primeira praça que chegamos é a Plaza de los Coches. Na verdade a praça já se chamou Praça do Juiz pois ali ficou o juiz que veio a Cartagena para tomar juramento do novo governador, depois Praça dos Escravos pois ali eram comercializados os negros que chegavam, Praça dos Mercadores pois comerciantes ficavam vendendo seus produtos e, finalmente, Praça de los Coches pois foi o primeiro lugar em que se permitiam o estacionamento de carros. Na praça há uma estátua de Pedro de Heredia, fundador da cidade. Famoso também é o Portal de los Dulces onde várias barraquinhas vendem os doces típicos do país.

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Pela noite

Seguindo pelo portal de los dulces, chegamos a uma outra praça: Plaza de la Aduana. Primeiro conhecida como Praça das Armas pois aqui ficavam os escritórios dos oficiais reais (exército de antigamente) mudou para Plaza de la Aduana pois também é aqui que fica, desde a época colonial, a casa da alfândega que virou Prefeitura e a Alcadia de Cartagena. Nessa praça morava o Pedro de Heredia e fica a Estátua de Cristovão Colombo.

Fomos em direção a próxima praça, antes passando pela frente do Museu de Arte Moderna. O destino era a Plaza San Pedro Claver onde fica a Iglesia San Pedro Claver. Jesuíta e espanhol, São Pedro Claver dedicou sua vida a proteger os negros escravos e a pregar o cristianismo para os mesmos. A igreja foi construída no local onde ele morava e onde batizava os escravos. Olhando a cúpula da igreja, vemos a frase que resume o santo: “Pedro Claver, escravo dos negros escravos para sempre”. Para esta visita, é preciso comprar ingresso.

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Iglesia San Pedro Claver por fora (acima) e por dentro (abaixo)

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San Pedro Claver e um escravo

A Plaza de Santa Teresa abriga o antigo Convento de Santa Teresa, onde hoje funciona o Hotel Charleston. Primeiro convento da cidade, foi criado por uma aristocrata chamada de Maria de Barras y Montalvo que queria passar os últimos anos de sua vida junto às carmelitas. O Museu Naval funciona onde ficava uma universidade e um hospital e vale entrar para conhecer a história da cidade. O Baluarte de San Francisco é uma das várias torres da cidade amuralhada. Vale subir e dar uma olhada na vista.

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Antigo Convento e atual Hotel

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Museu Naval

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Baluarte de San Francisco e as vistas proporcionadas (abaixo)

O próximo ponto que fomos foi a Catedral de Cartagena. A primeira igreja que existiu ali foi em 1537, feita de palha. Destruída por um incêndio, foi reconstruída em 1575 e é uma das igrejas mais antigas das Américas. Sir Frances Drake invadiu Cartagena em 1586 e sitiou a cidade querendo, em troca, pagamento em ouro. Ameaçou destruir a Catedral por não receber o resgate. Acabou dando um tiro que atingiu a estrutura da igreja e, com isso, recebeu o ouro e devolveu a cidade.

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A Plaza Bolívar já foi o centro da Inquisição e das touradas até ganhar uma estátua de Simon Bolívar e seu novo nome. Atrás da praça está o Palacio de la Inquisicion, onde pode-se conhecer um pouco mais da história da inquisição que castigou muitas pessoas em Cartagena. Os materiais de tortura, a janela de onde era anunciada a sentença, histórias como a de uma mulata acusada de bruxaria podem ser vistas. Nos andares de cima ficam as exposições do Museu Histórico Nacional. Vale investir na entrada. Do outro lado da praça fica o Museu del Oro. Bem menor que o famoso museu de Bogotá, vale a pena entrar dado que é de graça e tem exposições de artefatos da cultura Zenu, grupo indígena que trabalhava o ouro em diversos momentos da sua vida. Na lateral da praça, fica a casa onde ocorrem as inscrições para Miss Colômbia e um painel com todas as Miss Universo ao longo dos anos. As colombianas são muito bonitas e já ganharam algumas vezes (a última durou 3 minutos!kk). Nesse lado fica também uma das casas mais floridas de Cartagena.

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A Plaza de Santo Domingo cujo nome deve-se ao fato do Convento de Santo Domingo que ali fica, era utilizado no século XVII para execuções da Inquisição. Não deixe de tocar nos seios da escultura Gertrudis, do famoso colombiano Botero, para garantir sorte. O convento foi criado em 1551 e destruído, um ano depois, por um incêndio. A reconstrução finalizou em 1630. Uma das torres, a esquerda, não existe pois foi destruída por um canhão durante uma invasão. Mas a lenda diz que o diabo, irritado com o convento, pulou na torre esquerda tentando derrubar o convento. Não conseguiu e, humilhado, pulou na praça, sendo preso no poço pelos vizinhos. O odor de enxofre que dali sai, seria a prova de que o diabo realmente está ali.

Ali perto está a Casa del Marqués de Valdehoyos. Mansão colonial, de 1765, servia de moradia e de comércio de farinha e escravos. Simón Bolivar se hospedou nesta casa em 1830, quando por Cartagena passou. Vale observar os detalhes da arquitetura e os batedouras das portas. Eles contavam um pouco de quem residia em cada casa (se era um juiz, médico, advogado, militar etc).

Mais uma praça no caminho, a Plaza de la Merced cujo nome remete ao convento de Nossa Senhora de La Merced que já não existe mais. O Teatro Heredia, de 1911, é um prédio muito bonito da praça que foi inspirado no teatro nacional de Cuba.

A Universidad de Cartagena fica onde antes existia o convento de San Augustín. Antiga para os padrões americanos, a universidade é de 1825.

Agora já no lado de San Diego, a igreja do bairro é a Iglesia de Santo Toribio, de 1666, que tem em seu altar uma urna coberta com um vidro armazenando a bala lançada por um pirata no interior do tempo enquanto era rezada uma missa. É considerado um milagre o fato de não ter machucado nenhuma pessoa. A praça logo ao lado é a Plaza Fernandez Madrid, em homenagem ao dramaturgo colombiano homenageado por uma estátua. Nosso hotel ficava exatamente nesta praça.

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Outro ponto muito famoso de Cartagena é a casa de Gabriel García Marques, escritor vencedor do prêmio Nobel, que veio de Bogotá para Cartagena aos 21 anos. Antes de viajar eu li o Amor nos Tempos de Cólera. Vale muito a pena passear pela cidade depois relembrando de todos os cantinhos descritos por ele na obra. A casa em si é bem diferente dos estilos coloniais tão marcantes.

Dado que a muralha está logo ali, resolvemos subir e passear por ela. Andar por cima das muralhas, observando a cidade do alto e a cidade do lado de fora é um programa imperdível em Cartagena!

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Descemos perto das Bóvedas, antigo arsenal de Cartagena e que hoje funciona como centro de artesanato. Na verdade, para nós, valeu só para olhar pois achei mais cara as coisas aqui do que em outros pontos da cidade.

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Mais uma praça e, dessa vez, hora de conhecer  o Convento de Santa Clara onde hoje funciona um dos hotéis mais chiques da cidade, o Hotel Sofitel. Mesmo não estando hospedado, vale entrar e conhecer o hotel por dentro.

Este post ficou enorme! E quer saber a verdade? Com toda história e pontos importantes da cidade, o que mais gostamos foi mesmo se perder e ver as lindas casas coloridas que dão o charme único de Cartagena.

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