Roteiro de 2 semanas pelos Balcãs: Croácia, Eslovênia, Montenegro e Bósnia e Herzegovina

A parte principal da nossa viagem de lua de mel foi pelos Balcãs. Uma região que já vivia nos meus sonhos há anos e foi uma escolha muito acertada para uma lua de mel.

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O litoral é um dos pontos altos de uma viagem pelos Balcãs

E o que são os Balcãs? Este é o nome de uma região a sudeste da Europa e engloba os países ao redor da cordilheira dos Balcãs. Dentre eles, estão Croácia, Bósnia, Montenegro, Sérvia, Albânia, Grécia, entre outros.

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Mapa dos Balcãs – Fonte http://namaladosaraguez.com.br

O nosso foco era especificamente nos países dessa região que se originaram da antiga Ioguslávia. Este país surgiu, pela primeira vez, em 1918 com a junção de três povos distintos: sérvios, croatas e eslovenos. O reino se envolveu na Segunda Guerra Mundial e foi invadido pelos nazistas. Quem liberou o país e se tornou o grande líder foi Tito e, com ele, a Ioguslávia passou a ser socialista. Foi na década de 90 que o país foi acabando e mergulhou em guerras muito sangrentas e bárbaras, com muitas mortes e genocídio, em uma época tão recente. Foi assim que surgiram os países da Eslovênia, Croácia, Macedônia, Bósnia e Herzegovina, Kosovo, Sérvia e Montenegro.

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Bósnia e seus cantinhos

E agora, passado os anos sangrentos, estes países surgiram como as grandes descobertas turísticas dos últimos anos. Principalmente Croácia, seguida de Eslovênia e Montenegro se tornaram as grandes atrações dos verões europeus. Mas me diz como escolher o que visitar em uma região tão grande e com tantas atrações diferentes?

Começando pela Croácia, as grandes e clássicas atrações são:

  • Dubrovnik: sem dúvida a pérola do Adriático é linda, incrível, cheia de história… mas também é entupida e bem cara.
  • Split: a cidade do imperador Adriano encanta e serve de porta de entrada para as ilhas croatas
  • Ilhas: não há dúvida de que essa é a grande atração do país – seu mar azul incrível. São ilhas de todos os tipos, alcançadas de ferry, para todo tipo de curtição. A mais famosa é Hvar, sendo também a mais agitada, principalmente no verão. Perto dela ficam outras ilhas paradisíacas como Brac (tem as praias mais fotogênicas) e Vis. Mais para  sul, perto de Dubrovnik, as ilhas de Korcula e Mljet são bem concorridas.
  • Zadar: não tão famosa quanto às outras cidades, mas bem turística também. Possui um órgão musical acionado pela força das ondas e um painel de luzes acionado pela luz solar.
  • Parque Nacional dos Lagos Plivtice: sem dúvida o parque mais famoso da Croácia. Lindo e patrimônio da humanidade. Considero uma visita imperdível.
  • Zagreb: capital acolhedora, charmosa e com preços bem convidativos.
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Um paradinha pelo mar da Croácia

Além do básico que mencionei, alguns outros locais que merecem uma visita são a região da Ístria que fica ao norte do país. Apelidada de Toscana croata, é uma região para comer e beber bem, além de conhecer cidades pequenas e agradáveis. Perto de Split, fica Sibenik, cidade com uma igreja Patrimônio da Humanidade e o Parque Krka que além da beleza de suas quedas d`água, permite que se entre nas águas. E existem muitas outras cidades surpresas por esse país que pede, sem dúvidas, mais de uma viagem.

Estratégia de viagem pela Croácia: escolher uma porta de entrada ao norte ou ao sul. Os principais pontos de partida são Zagreb (norte) ou Dubrovnik (sul). A partir daí, o ideal, é alugar um carro e percorrer o país rumo ao sul (se iniciar em Zagreb) ou rumo ao norte (se iniciar em Dubrovnik).

Entre a Itália e a Croácia, fica a Eslovênia. Uma jóia que merece muito uma visita. Sem dúvida, é o país mais rico dentre os antigos da Ioguslávia, além de ter uma qualidade de vida alta e muito verde. O país é pequeno, mas tem tanta variedade de atrações que surpreende a todos. As principais atrações do país são:

  • Ljubliana: sua capital acolhedora, animada e compacta.
  • Lago Bled: a atração mais conhecida desse país. Lindo, lindo e lindo.
  • Cavernas de Postojna: um conjunto gigantesco de cavernas, muito bem preparadas para o turista.
  • Castelos: o país tem um conjunto de castelos, sendo o mais famoso o de Predjama, encravado em um rochedo.
  • Rio Solkan: de um azul forte e límpido, este rio é lugar de rafting e atividades de adrenalina.

Estratégia de viagem pela Eslovênia: escolher uma base que, para a maioria das pessoas, é a capital Ljubliana (não foi nossa opção). A partir daí, alugar um carro e fazer bate e volta para as atrações. Nenhum lugar fica a mais de 2 horas. Se não quiser alugar carro, tem passeios turísticos partindo da capital para todos os locais ou ônibus.

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Vendo o Lago Bled do alto

Pequeno e escondido ali embaixo da Croácia, fica Montenegro. O país é um dos mais novos e ainda sofre de problemas sociais e econômicos. Aqui já vimos pessoas que não falavam nada de inglês nas cidades mais turísticas e vimos pedintes nas ruas. O país é de uma beleza diferente. Encravado em uma cordilheira, apresenta o maior fiorde do sul da Europa. As cidades mais visitadas são:

  • Kotor: circundada por muralhas, uma cidade histórica, com vistas lindas e casinhas com janelas verdes.
  • Budva: cidade amuralhada também que fica na beira das praias mais agitadas do verão montenegrino. Com beach clubs e muita música, a cidade ferve de jovens no verão.
  • Perast: cidade pequenina, procurada por famílias no verão e com duas ilhas fotogênicas na frente.

Estratégia de viagem por Montenegro: o país é pequeno e fica a poucos quilômetros de Dubrovnik, na Croácia. Muita gente, inclusive nós, faz um bate e volta. Assim, saímos 8 hrs da Croácia, passamos a imigração e passamos por Perast, Kotor e Budva. Para encurtar um bom pedaço do caminho, vale ou na ida ou na volta, pegar a balsa que corta um bom caminho da estrada que circunda o fiorde.

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Muralhas de Kotor

Para terminar o nosso roteiro, visitamos a Bósnia e Herzegovina. Esse país ainda guarda muitas lembranças da triste guerra que sofreu na década de 90 ao se separar dos servos na Ioguslávia. Muita destruição que ainda está longe de estar recuperada. O país apresenta um dos maiores índices de desemprego do mundo atual, perto dos 40%. Mas o povo é de uma simpatia e acolhimento que vi em poucos lugares por onde já passei. Com a maioria muçulmana, o país é um bom contraste frente aos outros três que citei anteriormente. Meu único arrependimento foi ter ficado apenas um dia e meio por ali. Apesar de bem grande, os turistas se concentram em:

  • Mostar: cidade mais turística por sua beleza, representada pela ponte mais famosa em cima de um rio e cercada de casinhas que tornam o cenário muito fotogênico.
  • Sarajevo: capital que guarda muita história da guerra que o país viveu recentemente.
  • Neum: essa cidade se tornou muito visitada porque ela fica incrustada na Croácia. Dada para a Bósnia para que ela tivesse acesso ao mar, muitos turistas passam por ela quando estão percorrendo o litoral croata

Estratégia de viagem pela Bósnia e Herzegovina: Mostar fica em uma posição estratégica para quem está viajando pela Croácia e quer fazer um bate e volta. Tem gente que faz bate e volta a partir de Dubrovnik ou de Split, sempre com carro ou com uma agência turística. Para seguir até Sarajevo, é necessário ter, pelo menos, dois dias a mais no país. Nós saímos de Dubrovnik e fomos para Mostar, onde dormimos. Dali, seguimos para Split no dia seguinte.

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Mostar pela noite

Agora, de forma resumida, segue o roteiro que nós fizemos e que ficou muito redondo.

Dia 1: chegada de avião em Dubrovnik

Dia 2 e 3: explorar Dubrovnik, suas praias e ilhas

Dia 4: alugar carro e bate e volta a Montenegro

Dia 5: ida para Bósnia, passando por Blagaj e Mostar

Dia 6: retorno para a Croácia passando por Trogir, Split e Sibenik

Dia 7: visita ao parque Krka

Dia 8: ida para Zadar

Dia 9: ida para Parque Plivtice seguindo até Zagreb, com devolução do carro

Dia 10: ida de ônibus até Ljubliana, alugando carro e visitando as cavernas de Postojna

Dia 11: visita ao Lago de Bled

Dia 12: visita a Ljubliana, devolvendo o carro. FIM

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As incríveis cavernas da Eslovênia

Então, nessa viagem, não usamos carro em Dubrovnik. Depois alugamos um carro na Croácia, percorremos Montenegro e Bósnia, voltamos a Croácia e devolvemos o carro no próprio país. Fomos de ônibus para Eslovênia e lá alugamos um carro para percorrer o país. Devolver o carro em outro país ia sair muito caro devido a taxa de retorno.

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Os telhados vermelhos de Dubrovnik

Em termos de hospedagem, dormimos quatro noites em Dubrovnik, uma na Bósnia, duas em Sibenik, uma em Zadar, uma em Zagreb e duas noites em Radovljica (perto do Lago Bled).

Criarei posts específicos de cada país, falando melhor os detalhes e especificidades de cada um.

O importante é saber que viajar pelos Balcãs é bem fácil e permite encontrar muitos tipos de atrações distintas em um curto espaço.

11 comentários sobre “Roteiro de 2 semanas pelos Balcãs: Croácia, Eslovênia, Montenegro e Bósnia e Herzegovina

  1. Viviane disse:

    Olá Thathá,
    Adorei suas dicas. Estou viajando com meu marido em setembro para Croácia, Eslovênia e Áustria. Uma dúvida que temos é se as águas da Croácia são muito frias, se dá para tomar banho de mar. Estávamos pensando em alugar o carro na Croácia e devolver na Áustria. Você acha que vale a pena?
    Parabéns pelo blog.

    • thaissachaga disse:

      Oi Viviane, tudo bem?? Então, não achei as águas da Croácia muito geladas não. Eu sou carioca e as praias por aqui são mais geladas do que por lá.
      Quanto ao carro, leia direitinho o contrato e os termos do aluguel. Devolver em outro país, normalmente envolve uma taxa bem alta a mais. Na época, eu quis devolver na Eslovênia o carro que aluguei na Croácia e custava 150 euros a mais só por isso. Assim, preferi devolver o carro na Croácia, atravessar de ônibus para Eslovênia e alugar um outro carro lá.
      Obrigada pelos parabéns! Boa viagem!!!

      • Viviane disse:

        Olá Thathá! Obrigada pelas dicas. Vou tentar entrar na água rsss. Somos de Recife, então estamos mal acostumados com água gelada. Nós estávamos pensando em pegar o carro na croácia e devolver na Áustria. Quanto ao carro, soubemos dessa taxa para entregar em outro país. Mas como nosso roteiro está um pouco apertado para conhecer a Eslovênia (só iremos conhecer Ljubljiana e Bled), estamos com medo de perder tempo tendo que devolver o carro e pegar ônibus. Mas vamos estudar melhor esse roteiro ainda. Muito obrigada! Beijos.

  2. Elsa disse:

    Olá
    Sou portuguesa e vou com o meu namorado fazer exactamente esse roteiro. (a parte da Croácia, Montenegro e Bósnia) O que tenho mais medo é do tempo que leva a fazer as estradas no Montenegro e na Bósnia.
    Nós Alugamos carro e vamos de Dubrovnik até Sveti Stefan no Montenegro, Depois seguimos de lá para Mostar e dormimos.
    No outro dia vamos para a ilha de Brac por Split de catamaran.
    Então a minha pergunta é quanto tempo vocês demoraram para ir de Dubrovnik a Mostar. Nós não queríamos ir por aí, mas se a estrada compensar, alteramos. E também desde Mostar até Splite que trajeto escolheram? Nós gostavamos de fazer a estrada litoral que vai desde Neum até Split, mas será que vale a pena?
    Obrigada pelas dicas

    • thaissachaga disse:

      Olá Elsa! Viagem maravilhosa essa hein?
      Então, um dos pontos que mais podem impactar os trajetos Dubrovnik – Montenegro e Dubrovnik – Bósnia é a imigração. Para Montenegro, a fila estava pequena e, em menos de 10 minutos, atravessamos. De Dubrovnik até a fronteira são meros 30 minutos. Depois, levamos quase uma hora até Kotor e mais uma hora até Sveti Stefan.
      Para a Bósnia, saímos de Dubrovnik por volta de 10 horas da manhã e chegamos em Blagaj em torno de 13 horas. A imigração demorou uma meia hora dessa vez. Já a estrada é maravilhosa e deserta, sem trânsito algum (é uma linha reta).
      Saindo de Mostar acabamos indo para Split pela auto estrada por falta de tempo. Também preferiria fazer pelo litoral, mas demoramos a sair e queríamos conhecer Split e Trogir no mesmo dia. De auto estrada foram menos de 2 horas.

      Aproveite a viagem!!

  3. Elsa disse:

    Olá Thathá
    Viagem maravilhosa sim! Pena ser pouco tempo, mas é o possível.
    Muito obrigada por ter respondido, mas fiquei ainda com uma dúvida.
    Quando pesquiso o trajeto de Dubrovnik para Blajag no Google maps, tenho duas hipóteses.
    Uma é por Neum, no litoral e depois já na Bósnia por Metkovik (a estrada segue junto a um rio). A outra é mais pela direita, no interior. Segue por Zavala, Poplat e Solac. Qual a que você fez?
    Obrigada de novo-

    • thaissachaga disse:

      Elsa, na verdade eu não fiz nenhum esses. Eu escolhi pelo GPS mesmo e acredito que ele tenha indicado o mais rápido devido à imigração. O caminho que fiz ia mais para sul de Dubrovnik até encontrar a rodovia 223, passando por Dubac. Segui por essa estrada até a imigração e depois ela vira a M-20. Seguimos até sair para a M-6 e seguimos até chegar Blagaj. Pelo Google maps dá para ver esse caminho tb. Vê se vc acha. Apesar da imigração ter demorado um pouco, parece que é bem mais rápido do que as outras (li gente que demorou horas na fila pelo litoral, ainda mais em agosto quando fui). Talvez seja melhor decidir na hora, colocando o mais rápido pelo GPS!! 🙂

  4. Elsa disse:

    Obrigada mesmo Thathá.
    E eu a pensar que só havia estas estradas! Vou fazer assim mesmo. Decidir na hora o mais rápido pelo GPS. Já agora aproveito para perguntar se levou GPS da rent a car ou se baixou aplicação no celular e qual. Tem de ser online para informar sobre o tráfego, certo? Será bom comprar um cartão lá mesmo para ter dados mais em conta?
    Obrigada de novo

    • thaissachaga disse:

      De nada! 🙂
      Eu na verdade baixei o Google Maps offline porque não quis comprar cartão de dados (talvez comprasse hoje, mas não fez falta). O que eu fazia era, antes de sair do hotel, usar a internet e ver no o melhor caminho. Ai deixava esse caminho marcado no Google Maps offline. Foi bem tranquilo fazer assim.

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