Bósnia e Herzegovina: Blagaj e Mostar

Era hora de dar um até breve para a Croácia e seguir para mais um país dos Balcãs, a Bósnia-Herzegovina.

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Primeiro, vamos entender esse país com uma história complexa e violenta demais nos anos recentes…

História e Situação do país

A região foi primeiro dominada pelos ilírios, há 2.000 anos. Passaram por lá também os romanos, os eslavos até chegarem os turcos no século XV. Foi durante o domínio turco que vários habitantes se converteram ao islamismo. Depois, com um Tratado assinado em Berlim, a região passa ao controle do Império Austro-Húngaro em 1878. Nessa época se acirram os conflitos entres os católicos, que se identificavam mais com a Croácia, os muçulmanos que almejavam o retorno dos turcos e os ortodoxos que se identificavam com a Sérvia. Foi então que, em 1914, aconteceu o que muitos já estudaram nessa vida: o arquiduque Francisco Ferdinando (herdeiro do império Austro Húngaro) foi assassinado em Sarajevo (capital da Bósnia) e assim começou a Primeira Guerra Mundial.

Depois da Segunda Guerra Mundial, essa região foi anexada a Ioguslávia. Como contei aqui, depois ela se desintegra. Mas na Bósnia a história foi muito intensa. Os servos não aceitaram a independência e iniciaram uma guerra civil muito sangrenta entre 1992 e 1995. Um genocídio que matou 200 mil pessoas. Os servos alegavam uma limpeza étnica, assim como Hitler havia feito. Civis, crianças e mulheres foram dizimadas, milhares fugiram exilados, estupros em massa eram cometidos. Um verdadeiro horror que ainda está na memória de muitos bósnios que ali vivem. A guerra só acabou em 1995 com a presença da ONU constante no território.

Hoje, a região é formada por duas entidades politicamente independentes: a República da Sérvia e a Federação da Bósnia e Herzegovina. Essa última ainda é dividida em duas regiões geográficas: Bósnia e a Herzegovina.

A situação econômica da Bósnia é ainda bem ruim, sendo a mais pobre dentre os países que emergiram da Ioguslávia. O índice de desemprego beira os 25% e a população tenta crescer novamente, além de reconstruir todas as destruições de um passado tão recente.

Gente, o país me encantou demais! Acho que toda essa história, a beleza que encontramos por lá e a população tão cativante tornaram a Bósnia um país muito especial para mim.

Roteiro

Nós saímos de Dubrovnik e fomos em direção a Bósnia. Fomos cedo e era agosto. A fila  da imigração estava grande, mas muito maior para quem vinha entrando na Croácia. Demoramos uns 30 minutos e passamos. Aqui também é preciso mostrar a Carta Verde que veio junto com nosso aluguel de carro. Lembrando que alugamos em Dubrovnik e devolvemos em Zagreb.

Começamos a andar em estradas boas, mas totalmente desertas e cercadas por verde. O primeiro local em que paramos foi Blagaj. Depois seguimos para Mostar, a mais turística cidade. Resolvemos dormir por lá, ao contrário da maioria dos turistas que fazem apenas um bate e volta. Foi bom demais!!! No dia seguinte, saímos e fomos em direção a Split. A fronteira dessa vez estava vazia e entramos muito rápido.

Blagaj

Perto de Mostar fica um pequeno vilarejo que vale demais um desvio. Descobri Blagaj pela internet, através de uma linda foto.

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Chegando na região, seguimos o fluxo de carro e fomos descendo até o último limite para carros. Estacionamos e fomos andando até a bilheteria para conhecer o cartão postal de Blagaj.

A região é mais conhecida pela Tekija que é um mosteiro construído em 1520 por sufistas, uma vertente da religião muçulmana (bem conhecida na Turquia, por exemplo). É possível entrar e conhecer a casa, colocando véu e cobrindo as pernas (é dado panos na entrada). Por dentro, o mosteiro é simples e a decoração não impressiona.

Agora vem a parte mais encantadora do pedaço: o visual. O mosteiro foi construído na pedra que fica na margem do rio Buna, ao lado da encosta de uma grande montanha. A cor da água é surreal, de um azul esverdeado lindo.

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Em alguns pontos tinham quedas d`água

A paisagem como um todo encanta demais. Atravessamos o rio por uma das pontes que existe e fomos para o lado oposto do mosteiro. Dali do canto inferior, saem barquinhos que levam para dentro da caverna, que fica embaixo da montanha. São menos de cinco minutos de passeio, mas vale pela cor da água, pela sensação dentro da caverna e pelos papos muito legais com o menino que rema o barco.

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Para terminar nosso tempo ali, resolvemos comer em um dos restaurantes que ficam na beira do rio. Escolhemos um aleatório e ali ficamos curtindo uma comida típica da Bósnia, com uma cerveja local. Mas o melhor mesmo, sempre foi a vista!

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Mostar

Aqui a história recente da Bósnia se faz muito presente. Mostar, capital da região da Herzegovina, é uma cidade tipicamente muçulmana e que foi destruída durante a guerra do início dos anos 90. O ponto mais famoso e charmoso dessa cidade é, sem dúvida, sua ponte velha sobre o rio Neretva.

Mas vamos aos poucos. Nós, acertadamente, resolvemos pernoitar nessa cidade. Por isso, estacionamos nosso carro no hotel (falo dele no final) e fomos andando em direção ao centro histórico.

Passamos por alguns prédio ainda marcados pelas balas e destruições que os atingiram durante a guerra. Na mesquita principal da cidade (que é possível visitar fora do horário das orações) é possível ver uma foto de como ela ficou entre 1992-1995. E na frente da mesquita, uma praça foi transformada em cemitério pois faltava espaço para enterrar os mortos no conflito.

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Essa pracinha do canto é na verdade um cemitério…

Chegamos nas ruas de pedrinhas, por onde passamos por dezenas de lojinhas vendendo de tudo um pouco. Como se fosse um mini bazar de Istambul.

Finalmente chegamos nela, a mais famosa ponte da Bósnia. O nome Mostar inclusive significa “os mantenedores da ponte”. A ponte foi construída em 1557 e sempre foi um símbolo da cidade.

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Porém, na guerra recente, a linda ponte foi destruída. Sua reconstrução aconteceu em 2004, com ajuda de dinheiro internacional. Logo depois, a Unesco declarou a região patrimônio da humanidade.

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Fonte: Portal Unesco

Atravessar a ponte faz parte do programa. O chão é bem escorregadio e a ponte tem uma arcada bem inclinada. Logo, não é tão fácil assim o caminho. Mas as vistas desde a ponte são incríveis, com as casas turcas e a mesquita na beira do rio.

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Muito engraçado são alguns caras que ficam lá em cima da ponte e pedem dinheiro para eles pularem no rio. Sério, eles ficam muito tempo enrolando, pedindo dinheiro, fingem que não tem o suficiente e que vão desistir. No final, um deles realmente pulou! Até o casal de noivos ficou lá esperando o cara pular.

Do outro lado da ponte, descemos para beirar o rio e apreciar mais as vistas. Depois ficamos passeando por este outro lado da ponte.

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E o mais legal de ter dormido nessa cidade, foi voltar para o centro histórico pela noite. Escolhemos jantar em um restaurante chamado Lagero. Que acerto! Ficamos na varanda, com a vista incrível da ponte. Comemos o cevapi, prato típico da Bósnia. Tomei um vinho da região e comi um Baklava feito pela mãe do rapaz que nos atendeu. Mas o melhor foi a conversa incrível com o rapaz. O restaurante é de uma família que teve sua vida e casa destruída na guerra. Recomeçando, resolveram investir no restaurante. Quem cozinha é sua mãe e ele e seus irmãos atendem. Foi uma conversa muito emocionante, em que saímos muito tocados e mais apaixonados por esse povo. Ele também nos mostrou um livro que mostrava as imagens da cidade durante a guerra.

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Para fechar com chave de ouro nossa estadia em Mostar, falemos do nosso hotel. Escolhemos o Villa Park, que fica na beira do rio. Custou apenas 40 euros a diária para o casal, em um quarto super amplo, com varanda e uma vista maravilhosa do rio. No dia seguinte, com 3 euros, tomamos café da manhã na beirada do rio, ouvindo o barulho da água. Ainda ganhamos bebidas de boas vindas e estacionamos de graça nosso carro.

Depois de todo esse relato, só posso dizer uma coisa: Bósnia e Herzegovina, um dia eu volto e vou conhecer você mais a fundo!

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