Deserto do Atacama: dicas práticas para organizar a viagem

O Deserto do Atacama é um lugar de beleza ímpar. Já conheci alguns lugares muito lindos nesse mundão, mas confesso que o que vi por lá é único. Está tão perto do Brasil que não é de estranhar a quantidade de brasileiros que encontramos.

thumb_IMG_1042_1024

As vicuñas, o verde e o vulcão do Deserto do Atacama

Organizar uma viagem para o deserto mais árido e mais alto do mundo exige algum planejamento prévio e algumas dicas.

Como chegar?

Se a viagem vai começar pelo Chile, a porta de entrada principal é Santiago. Daqui é preciso pegar um outro vôo para Calama. Há duas companhias aéreas principais que fazem a rota: Latam e a Sky Airline. Está última é a mais barata, mas tem menor conforto. Simule comprar todos os trechos de viagem juntos pois pode sair mais barato. No nosso caso, que compramos os trechos até Santiago de milhas, foi preciso comprar separadamente o trecho Santiago – Cálama e escolhemos a Sky Airlines pelo preço.

Chegando em Calama é preciso pegar um transfer para San Pedro do Atacama. Existem várias empresas que fazem o percurso. Nós fizemos pelo Transfer Pampa pois foi o indicado pela nossa agência. Se não reservar com antecedência, basta ir no saguão do aeroporto e reservar em algum dos quiosques que ficam por ali.

Se a viagem envolver a Bolívia, o deserto de Uyuni está perto do Atacama. Muitos começam pela Bolívia e descem para o Chile ou vice e versa. Aqui o transporte é por agências turísticas.

thumb_IMG_6659_1024

As belezas do Atacama…

Onde se hospedar?

San Pedro do Atacama é uma cidade com uma rua principal onde ficam alguns restaurantes, lojas e agências de viagem. Nós optamos por nos hospedar bem perto da rua principal. Ficamos no Hotel Pascual Andino. Um hotel com quartos muito confortáveis, banheiro com luz solar, varanda para beber um vinho, café da manhã gostoso (preparavam lanche quando a saída era muito cedo) e uma piscina (bem pequena). O ponto chato foi que faltou água na cidade uns três dias que ficamos ali. Os outros hoteis tinham cisternas grandes e os hóspedes não sentiram nada. No nosso caso, ficamos sem água e foi preciso comprar galões de água. O hotel não deu nenhum apoio, sendo que este não é um hotel barato.

Há opções para todos os bolsos, mais perto ou mais longe do centro. Lembrando que o Atacama não é uma cidade barata.

thumb_IMG_0159_1024

A rua principal de San Pedro do Atacama

Quando ir?

Aqui está uma questão importante. O deserto é o mais seco do mundo e o mais alto. Logo, chuva não deveria ser um problema. Pois bem, há dois meses do ano em que este fenômeno pode atrapalhar sim a vida do viajante: janeiro e fevereiro.

Nós fomos em janeiro e sim, pegamos chuva. O que isso causou? Primeiro que as ruas da cidade são em barro. Logo, choveu virou lama. Mas isso não nos impediu de andar por ali não! Segundo, por causa das chuvas, faltou água na cidade durante três dias (falei disso no item sobre hotel). Depois, falando dos passeios, no final até me considerei com sorte. Era uma expectativa a cada dia pois, dependendo da chuva no dia anterior ou mesmo se estava chovendo no local da atração, o passeio era cancelado e substituído por algum outro. Mas conseguimos fazer quase todos os passeios planejados. Apenas no dia das Piedras Rojas y Lagunas Altiplanicas é que fomos surpreendidos por neve. Então a ida a Piedras Rojas foi cancelada mas conseguimos ir até as Lagunas (o tempo estava bem feio). Fora isso, fizemos tudo que queríamos e conseguimos até tempo bom em algum deles! Mas nós não planejamos ir as Termas de Puritama. Quem planejou ir não conseguiu pois ela estava fechada o tempo todo em que estivemos por lá. Por último, não conseguimos fazer o Tour Astronômico que não ocorreu em nenhum dos dias em que estivemos por lá.

thumb_IMG_0344_1024

Lagunas Altiplânicas com tempo fechado, mas linda de qualquer forma!

Como fazer os passeios e qual agência escolher?

Tem gente que arrisca alugar um carro (4 x 4) e fazer os passeios. Sinceramente eu não recomendo de jeito nenhum. A sinalização é péssima e, com certeza, há lugares que só são visitados pelas agências de viagem (como o Salar de Tara).

Então o ideal é escolher uma agência e negociar um pacote com ela. Há algumas mais caras e outras mais em conta. Os passeios são quase todos os mesmos. Mas cuidado ao escolher sua agência. É muito recomendável que os carros sejam bons, tenham cinto de segurança e os motoristas e guias sejam responsáveis. Além disso, dependendo do preço, há comidinhas e lanches incluídos.

Nós escolhemos a agência de uma brasileira que mora em San Pedro e trabalha basicamente com brasileiros. O nome da agência é Flavia Bia Expediciones. Os preços são mais altos do que o de outras agências e se comparam aos das agências mais caras da cidade. Contudo, os grupos sempre são pequenos (a cada 9 pessoas, há um motorista e um guia), os carros são muito novos e seguros, há roupões incluídos nos passeios em que há mergulho e os lanches e almoços são sensacionais! Tudo muito gostoso e variado. Comemos espetinho de camarão, ceviche, salmão, sanduíches com pão comprado no dia, croissant de chocolate, morangos no chocolate, musse de maracujá etc. E sempre havia vinho ou champagne e bebidas não alcóolicas (água, refrigerante e sucos).

thumb_IMG_6696_1024

Depois de mergulhar, hora do brinde

thumb_IMG_0537_1024

Nossos guias preparando nossa mesa

Que roupas levar?

Nossa, como fiquei em dúvida sobre essa mala! Li tanta coisa que não sabia direito o que vestir. Vale lembrar que as minhas dicas são para a época do verão. Mas no deserto sempre faz frio nos passeios mais altos, independente da época. Só que no inverno, o frio é muito também de manhã. Pela tarde, se há sol, o calor é inclemente. Parece que o sol entra dentro da pele da gente! Os itens essenciais para se levar, na minha opinião e experiência:

  • 1 casaco que proteja do frio, seja impermeável e corta ventos;
  • 1 casaco mais leve, que proteja de um frio mais tranquilo;
  • 3 a 4 blusas de manga curta que ficam por baixo para aquele momento calor que bate no meio da tarde;
  • 1 calça térmica para os passeios mais altos;
  • 1 legging (levei uma mais pesada e usava ou sozinha ou em cima da calça térmica dependendo do passeio);
  • 1 calça jeans (usava por cima da calça térmica ou legging dependendo do passeio);
  • Meias e um tênis de academia mesmo (não é necessário tênis de trekking ou nada disso pois as caminhadas são pequenas);
  • Luvas e Gorro;
  • Óculos escuros;
  • Protetor solar;
  • Mochila para levar as luvas e os casacos que se usa e se tira ao longo do dia, documentos e dinheiro, óculos, protetor solar e água;
  • Hidratante forte: o lugar é bem seco e vale usar muito hidratante labial e no corpo. Chegamos a comprar até vaselina, mas com pegamos chuvas, a secura não foi tão intensa assim.

Os passeios mais frios e nos quais vesti tudo que tinha foram: Gêyser del Tatio, Salar de Tara e Piedras Rojas/Lagunas Altiplânicas.

thumb_IMG_0696_1024

Salar de Tara

thumb_G0403879_1024

Geyser del Tatio

Os passeios médios em que usei calça, blusa de manga curta e levei casaco para usar em alguns momentos foram: Valle de la Luna e Muerte e Tour do Vinho + Salar de Atacama

thumb_IMG_0248_1024

Vale da Lua no ínicio…

thumb_IMG_0284_1024

e no fim!

O único passeio de maior calor e que, inclusive, usei short foi nas Lagunas Escondidas (isto porque fiz pela manhã e não peguei o escurecer).

thumb_IMG_6664_1024

thumb_IMG_6690_1024

Lagunas Escondidas e toda sua beleza!

Falarei de todos estes passeios em um post específico.

A tal altitude e o soroche:

San Pedro do Atacama fica a 2.400 metros de altura. Algumas pessoas já sentem os efeitos da altitude, chamado de soroche, nessa altura. O problema maior mesmo são nos passeios mais altos (Geyser del Tatio, Salar de Tara e Piedras Rojas/Lagunas Altiplânicas) que passam dos 4.300 metros de altura. Nós não sentimos quase nada, tirando no Salar de Tara. Estávamos no carro, subindo, e de repente eu e minha mãe sentimos a mesma coisa. Uma sensação de moleza, achei que fosse até desmaiar. Chupamos bala de coca, mas não adiantava. Até que o motorista explicou que estávamos passando pelo ponto mais alto do trecho (5.000 metros!). Deu 10 minutos e começamos a descer. Incrivelmente, melhoramos instantaneamente.

Eu tomei um remédio que ajuda no preparo do corpo para altitudes desde dois dias antes da viagem. Estava com muito medo pois tenho traço talassêmico (provoca uma certa anemia) e ficava com medo de sentir algo mais forte que outras pessoas. Isso apesar da minha médica ter me explicado que eu sentiria o mesmo que qualquer outra pessoa. Mas cuidado: se você tem traço de anemia falciforme, aí o problema pode ser maior. Não é recomendável viajar para altitude com anemia falciforme. Sempre procure um hematologista!

Além do remédio, no primeiro dia em que chegamos, ficamos uma horinha deitadas na cama, sem fazer nada. Tomei chá de coca também pela manhã. Nosso hotel deixava sempre disponível. E foi isso. Sempre vá com calma, não ache que você está bem só porque está se sentindo bem logo no início. Descanse nas primeiras horas e pegue leve no primeiro dia.

thumb_IMG_0938_1024

Na neve em pleno verão do Atacama!

Tentei reunir aqui as dicas principais para essa viagem. Nos próximos posts falo dos passeios incríveis que fizemos!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s