Grand Palace, em Bangkok, em detalhes

A principal atração de Bangkok demanda tempo e paciência para ser contemplada como deve. O complexo é muito grande e muito movimentado. São muitos turistas e grupos de chineses tirando cinquenta fotos por minuto. Por isso tento resumir nesse post um guia para quem quer fazer esta visita entendendo bem o que se está contemplando.

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O Grande Palácio de Bangkok é formado por um conjunto de edificações que serviram como residência para os reis tailandeses desde 1782 até 1946. Dentro destes prédios, há um complexo com um templo dedicado ao Buda de Esmeralda que é considerado o mais sagrado no país.

Dicas Práticas para a Visita

Para chegar ao local do Grande Palácio, usamos o chamado Chao Phraya Express Boat. Funciona como balsas/ferrys que navegam pelo rio parando em determinados pontos e sendo bem mais rápido do que enfrentar o trânsito de Bangkok. São cinco linhas e o ponto do Grande Palácio é o Tha Chang. Nós acabamos pegando uma linha turística, que é mais cara que a linha normal. Mas ela é bem organizada e para em todos os principais pontos turísticos. Inclusive é possível comprar um bilhete que permite saltar e retornar durante todo o dia.

O ideal é começar esta visita bem cedo, evitando as multidões. Fomos a Bangkok quatro meses após a morte do rei. O velório do mesmo, que durará um ano, é feito em um dos prédios do complexo. Por isso, o fluxo de tailandeses prestando homenagens ao rei é gigante. Somente eles, portando suas roupas pretas de luto, podem entrar nesta área onde o rei está. Nós, turistas, entramos por outro local.

O movimento é tão intenso que para entrar na rua onde fica o palácio é preciso passar num raio-x e mostrar o passaporte. Depois é só seguir o fluxo até a entrada do complexo. Quem estiver com as pernas a mostra (inclusive homem) ou com camiseta regata pode alugar um pano e usá-lo. A primeira dica: já vá vestido adequadamente! Como o calor é muito intenso, levamos a calça na mochila para poder usar apenas na visita mesmo.

É preciso comprar o ingresso e depois seguir o fluxo para a entrada. Nós resolvemos alugar um áudio guia para entender bem o local. Achamos válido! Fomos seguindo o mapa e ouvindo as explicações em cada ponto. Levamos umas três horas na visita completa.

História

Como contei neste post aqui, o rei Rama I trocou a capital do Reino de Sião de Thonburi para Bangkok, a leste do rio Chao Phraya. Decidiu então construir uma residência para a família real.

A partir de 1782, surgem os primeiros edifício do Grande Palácio, todo cercado para proteção. Esse mesmo rei pediu para criar um templo para seu culto pessoal: o Templo do Buda de Esmeralda, onde colocou a imagem mais sagrada do budismo tailandês, o buda de esmeralda.

Detalhes do Complexo

Para guiar a visita e minhas descrições, segue um mapa do local.

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Fonte: http://www.bangkoksite.com/

Começamos a visita pelo complexo do Templo do Buda de Esmeralda. Após a entrada, logo na nossa frente encontramos o Hermit Doctor que representa o pai da medicina tailandesa. Atrás dele tem uma torre consagrada pois possui uma estupa (lugar onde se guarda cinzas na religião budista) que foi trazida para o palácio pelo rei Rama IV. Nesse momento, estamos nos fundos do Templo do Buda de Esmeralda.

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Hora de dar uma rodadinha e ver a entrada por onde entramos, ou melhor, as duas imagens gigantes dos guardiões do templo (número 1 e 2 do mapa). Conhecidos como Yaksha ou simplesmente Yak (gigantes) eles são uma tradição no budismo e são representações de espíritos bons. Suas caras bravas servem para expulsar os maus espíritos.

Antes de seguir para as outras construções, vale olhar os murais que ficam nas paredes logo ao lado dos guardiães. Por ali há representações de diversas histórias da religião, assim como uma representação do Grande Palácio.

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A próxima construção é uma estupa linda, toda de ouro (número 3 do mapa)! O nome é Phra Sri Ratana Chedi construída pelo rei Rama IV em meados do século XIX. Ela representava as estupas que foram construídas em Ayutthaya (antiga capital do país) e foi feita de forma a brilhar e chamar a atenção pois guarda um pedaço de osso do Buda.

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Ho Phra Nak (número 4 do mapa) foi criado primeiro pelo Rama I para abrigar uma imagem de Buda. Anos depois, o rei Rama III substituiu o edifício, transferiu o buda para outro templo e destinou este local para abrigar as cinzas de pessoas da realeza “menos importantes”.

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Seguindo o mapa, chegamos a Phra Viharn Yod (número 5 do mapa), local de oração fechado ao público. A decoração é muito bonita, com porcelanas chinesas.

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Phra Viharn Yod ao fundo

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Detalhes de Phra Viharn Yod

Ali ao lado (número 6 do mapa) fica uma representação de Angkor Wat, o mais famoso templo do Camboja. Por um tempo, Angkor Wat (o templo e a cidade tem o mesmo nome) foi a maior cidade do mundo! Quando os tailandeses dominaram o Camboja, o rei Rama IV construiu esta maquete para demonstrar o grande poderio que estava sob seu domínio. Ali perto está um monumento que homenageia os vários reis do país e é cercado por elefantes em bronze que representam os elefantes brancos que eram usados pelos reis.

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Maquete de Angkor Wat

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Homenagem aos antigos reis

A biblioteca (número 7 do mapa) é a construção mais antiga do complexo e seu nome é Phra Mondop. Seu objetivo é preservar as literaturas do budismo. Na porta ficam duas pequenas estátuas de ouro que representam os guardiães, com cara de mau e as serpentes de cinco cabeça chamada de Naga e que trazem proteção. Há, em cada esquina do edifício, quatro budas feitos de pedra, do século IX, em estilo japonês. Não é possível entrar na biblioteca.

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Vamos em frente para o Hor Montien Dharma (número 8 do mapa). Aqui funciona uma biblioteca auxiliar, onde ficam mais livros da religião budista.

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Ao lado fica o Prasat Phra Debidorn ou Panteão Real (número 9 do mapa). A primeira função desta construção era abrigar o buda de esmeralda. Porém, ao ficar pronto, o consideraram muito pequeno. A partir daí, passou a funcionar como Panteão onde ficam estátuas em tamanho real dos antecessores da família real. É fechado ao público e aberto apenas no dia 6 de Abril. Ao redor deste local estão duas pagodas douradas construídas para homenagear a mãe e o pai de Rama I. Na base ficam vários demônios guardiões bem coloridos!

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E chegamos a ela, a mais esperada construção desse complexo: o Templo do Buda de Esmeralda (número 10 do mapa). Este buda tem um passado um tanto misterioso mas acredita-se que tenha sido construído na Índia em 43 a.C. onde ficou por 300 anos. Depois foi para o Sri Lanka proteger o país da guerra civil. Os birmaneses (atual Myanmar) pediram a imagem para poder fortalecer o budismo em seu povo. Durante o translado, ocorreu uma tormenta e o barco se perdeu chegando ao Camboja. A imagem ali ficou até a região ser dominada pelos tailandeses que levaram a imagem para Chiang Rai, por volta de 1434. Com as guerras na região, o povo resolveu esconder o buda com gesso. Quando foi descoberto pelos invasores, os mesmos colocaram a imagem em um elefante para seguir a Chiang Mai. Contudo, o elefante não obedecia as ordens e a imagem foi mantida em sua origem. Depois de um tempo, a imagem acabou indo parar no Laos onde ficou por uns 200 anos até o rei Rama I, em 1779, invadir o país e capturar a imagem de volta para a Tailândia. Desde então, a estátua fica no Templo construído para ela e é muito sagrada.

Apesar do nome esmeralda, a imagem do buda é feita de jade. E ela tem uma roupa. Na verdade são três roupas que são trocadas ao longo do ano pelo rei. Ah, e apesar de toda importância, a imagem é pequenina.

Apesar de falarmos em templo, o espaço é na verdade uma capela pois não há monges morando (templo só com monges dentro). O lugar é muito bonito e muito cheio. É preciso tirar os sapatos para entrar e não se pode tirar fotos lá dentro. Há um espaço reservado para os budistas prestarem suas homenagens ao buda.

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Saindo do templo, andamos pelo outro lado vendo mais algumas construções não tão importantes, mas muito belas. Adoro quando a decoração é feita com porcelanas chinesas.

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Terminada esta parte do complexo que é conhecida como o conjunto do Templo de Esmeralda, passa-se para o Grande Palácio, de fato. Acompanhando a passagem, nossos guardiães já conhecidos.

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A outra parte da visita é ao local onde funciona a vida política do rei, onde ele faz seus encontros e recebe visitantes.

O primeiro edifício, fechado por grades, é o Phra Thinang Boromphiman criado em 1897 por Rama V para seu filho. Ele foi habitado por alguns reis mas hoje em dia fica fechado e, ocasionalmente, abriga visitas importantes do país.

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Em seguida fica o complexo Phra Maha Monthien, criado para servir de moradia oficial do rei e para suas audiências. Mesmo que hoje os reis vivam em outro local, seguindo a tradição, o novo rei que toma posse precisa passar uma noite neste complexo. Cada construção desse grupo tem uma função: descanso do rei, realizar audiências, tomar banho para se purificar. Como fomos no período de velório do rei, não pudemos caminhar pelas edificações.

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Ao lado, fica a Chakri Maha Prasat. O rei Rama V mandou construir em 1882. Ele queria um estilo ocidental mas foi criticado pois diziam que a construção deveria representar a cultura siamesa. A solução? Colocar um estilo tailandês na parte de cima. E assim, temos um prédio ocidental com “chapéu” tailandês. Ele fica onde era um jardim e serviu de residência para a mãe do rei.

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Por último, fica o The Cruciform que é o local onde fica o trono dos reis e onde os mesmos são velados quando morrem. A fila de tailandeses visitando o corpo do rei que ali estava era enorme. E olha que era uma terça-feira!

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Tailandeses de preto esperando para se despedir do rei

Não pudemos aproveitar tanto esta parte do complexo que permite algumas visitas internas pois vários espaços estavam fechados por conta do velório do rei.

De qualquer forma, essa visita imperdível do Grande Palácio é incrível. Nunca vi arquitetura tão detalhada, cores vibrantes e muita história! Curtam intensamente o passeio…

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