Roteiro de 4 dias nas Serras Catarinenses

Não me canso de dizer que país com belezas como o Brasil não há! E o mais incrível é a diversidade dessas paisagens. E um sonho de viagem que eu já vinha matutando há um tempo era o de conhecer as lindas serras catarinenses.

thumb_IMG_0147_1024-min

Os cânions do sul

Santa Catarina é um estado abençoado. São praias maravilhosas, cidades em estilo europeu super fofas e as tais serras. Apesar de não ser tão famosa como a vizinha serra gaúcha (terra de Gramado), as paisagens e os prazeres gastronômicos e etílicos são tão agradáveis quanto (e um tantinho mais barato!).

Essa região é conhecido por ser a mais fria do Brasil! Na TV, volta e meia, aparecem as pessoas aproveitando a neve da região durante o inverno. As cidades que formam esta região são Lages, Urupema, Urubici, Rio Rufino, São Joaquim, Bom Jardim e Bom Retiro.

As cidades preferidas pelos turistas para servir de base são Urubici ou São Joaquim. Nós escolhemos a primeira pois é a que concentra as principais atrações. São Joaquim é a escolhida por aqueles que querem aproveitar fortemente as vinícolas de altitude.

thumb_IMG_9424_1024-min

Belezas naturais de Urubici

Nós escolhemos o feriado de Corpus Christi para a viagem. Foram quatro dias de viagem e considero a duração ideal. Chegamos na quinta-feira às 11 horas no aeroporto de Florianópolis, o mais perto da região. Alugamos um carro e seguimos por 3 horas até Urubici. Na volta, saímos domingo às 13 horas da cidade e levamos quase 4 horas para chegar ao aeroporto pois o trânsito perto de Floripa estava muito intenso. Nosso vôo partiu às 18:50. Voamos pela Avianca, comprado com muita antecedência (como sempre faço!) e pagamos R$ 353,00 por pessoa, a ida e volta.

Na semana anterior a nossa viagem, a neve havia caído. Na semana que fomos estava “quente” para os locais. Para mim, tava um frio danado! Andamos com calça térmica e três casacos, mesmo de dia. A temperatura variou de 1 grau (pela noite) a uns 15 graus (durante o dia). O problema é que venta muito na cidade e isso leva a sensação térmica lá para baixo.

Nosso hotel foi um achado! Queria muito um lugar que pudéssemos ter uma vista bonita. Pois bem, que vista conseguimos! Nosso quarto tinha uma janela inteira de vidro e a vista era simplesmente incrível. Vimos um pôr do sol lindo ali!

thumb_IMG_0001_1024-min

Nossa janela

thumb_IMG_9444_1024-min

thumb_IMG_0103_1024-min

Dava para ver a neblina pela manhã

O nome da pousada é Casa de Campo Kiriri-Etê.  Ela fica há uns 10 minutos de carro do centro de Urubici. Isso é ruim pois acabamos fazendo tudo de carro, até mesmo sair para jantar. O quarto era bem confortável, mas sentimos muito frio pois o chão era de porcelanato e gelado e a janela do banheiro não fechava. Havia um aquecedor elétrico que não achamos que deu tanta vazão e uma lareira que tivemos medo de acender. O café da manhã era farto, com muita variedade e eles ofereciam um chá da tarde também. Pagamos R$ 486 o casal por 3 diárias no feriado mais concorrido da região.

thumb_IMG_0107_1024-min

Tinha um lago no hotel

thumb_IMG_0105_1024-minthumb_IMG_0005_1024-min

Roteiro dia a dia

Dia 1

No primeiro dia nós resolvemos descansar a tarde toda e curtir a vista do nosso hotel. Porém o roteiro que eu considero ideal para este dia seria visitar a Cascata do Avencal e fazer a tirolesa por cima do cânion. Parece ser incrível e nós não tivemos tempo de fazer.

Na volta para Urubici, na estrada se passa pelo Mirante do Avencal que tem uma vista panorâmica de toda a cidade.

Por fim, uma parada rápida para conhecer as inscrições rupestres. Uma pequena caminhada leva até desenhos feitos em uma pedra que possuem mais de 3 mil anos. Foram feitos pelos povos pré históricos que aqui viviam.

Nessa primeira noite, fomos jantar no restaurante número 1 do Tripadvisor, o Restaurante Château du Valle. Por favor, reserve antes! Não fizemos isso e chegamos lá às 20 hrs. Éramos o terceiro casal da fila e esperamos mais de 1 hora. O restaurante é muito charmoso. Escolhemos um vinho da região e pedimos a sequência de fondue. Custou R$ 98 reais por pessoa e era composto de fondue de queijo delicioso, servido com pães caseiros, goiabada, couve-flor, pinhão e outras coisinhas. Depois, veio o fondue de carne feito em uma tábua com sal para não grudar. Tinha filé mignon, picanha, filé suíno e frango. Para acompanhar farofa e uns 8 molhos. Por fim, o fondue de chocolate que estava divino pois não era tão amargo e servido com frutas diversas e mashmallow.

Dia 2

Esse dia foi dedicado às atrações de Urubici. O mais famoso de todos, o Morro do Castelo e Pedra Furada exige uma reserva prévia. Aqui a dica para dar tudo certo: antes da viagem mande um e-mail para agendamentoparque@hotmail.com dizendo o dia que você vai fazer a visita. Você recebe uma resposta automática, mas dá tudo certo. Quando chegar na cidade, vá ao centro de informação turística/sede do ICMBio e seu nome estará lá. Basta pegar o papelzinho e seguir para a visita. Se você não fez reserva, pode ir até o mesmo luar e tentar a sorte de conseguir um dos 200 lugares disponíveis do dia. Nós fomos em feriado e todos os dias estavam esgotados.

A distância até a entrada da atração é de uns 15 minutos. Depois, é preciso subir. E a estrada sobe bem! Alguns quilômetros para cima e se chega a cancela onde provavelmente alguns carros já estarão aguardando em fila. Só sobe quando um carro desce e é preciso entregar o papel da autorização ao guarda da cancela.

O Morro da Igreja está a 1.822 metros de altitude. Foi neste ponto que já se registrou a temperatura mais baixa do Brasil, de -17,8 graus em 1996. E sim, aqui é o lugar mais frio do Brasil. A Pedra Furada está logo ali em frente com 10 metros de diâmetro e a altura do furo de 5 metros.

thumb_IMG_0131_1024-min

thumb_IMG_0133_1024-min

A Pedra Furada

O mais incrível é a vista dos cânions a frente. Formada por rochas de basalto, o local era um deserto no passado muito remoto. Era coberto por lavas que foram resfriando ao longo do tempo até formar as montanhas que vemos. Essas lavas vieram na época que o continente americano se separou do africano. Coloca tempo nisso! Mas que beleza esse lugar…

thumb_IMG_0161_1024-min

Descemos de carro e, ao passar pela cancela, entramos a esquerda para conhecermos a Cascata Véu da Noiva. Uma estrada de terra leva até a entrada onde pagamos R$ 5 cada um. No local há um restaurante e lanchonete. Para chegar a cascata basta uma caminhada de menos de 5 minutos. Ela é bem bonita e vale a visita.

Hora de seguir viagem! Voltando a estrada principal seguimos em direção a Serra do Corvo Branco. Esta já fica uns 15 minutos a frente sendo necessária andar mais uns 5 km em estrada de terra. Esta serra foi a primeira ligação oficial entre a Serra e o litoral catarinense. Nesse lugar, a estrada se estreita entre dois paredões com 90 metros de altura. E na onda dos rankings, esse local é considerado o maior corte em rocha arenítica do Brasil! Estacionamos o carro e saímos em um vento fortíssimo!!! Passamos pelas rochas e chegamos até a curva da estrada. A vista das estradas circundando a serra é bem bonita.

thumb_IMG_0009_1024-minthumb_IMG_9419_1024-minthumb_IMG_9415_1024-minthumb_IMG_9417_1024-min

Voltamos à estrada e retornamos a cidade de Urubici. Assim que passar pela entrada do Morro do Castelo, fique de olho a entrada da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes. Ela fica do mesmo lado da estrada e logo depois de uma igreja. Não é preciso pagar nada para a visita. Estacionamos e caminhamos uns 3 minutos até a Gruta onde uma queda d`água de 10 metros e uma imagem de Nossa Sra de Lourdes estão. Há um altar com vários outros santos. Em ocasiões especiais há missas neste local.

thumb_IMG_0030_1024-minthumb_IMG_0034_1024-minthumb_IMG_0035_1024-minthumb_IMG_0042_1024-minthumb_IMG_0041_1024-min

Se a fome bater, sugiro um almoço gostoso no Bodegão. O lugar é bem confortável, com as cadeiras forradas com mantas fofas para aquecer. Experimentei a paçoca de pilhão, comida típica das serras catarinenses. É feita com diferentes carnes e pinhão. Mas o cardápio é grande. Há uma lojinha de produtos típicos também (garanti meu copinho souvenir).

Para fechar o dia, vale o passeio ao Morro do Campestre que fica a uns 8 km da cidade, do lado oposto ao do Morro da Igreja. Este morro fica em área particular e é preciso pagar R$ 10 reais por pessoa. Não dá para subir em carro normal, só 4×4. Mas isso não é problema pois basta seguir a pé estrada acima. Em meia hora chegamos ao morro, de 1.380 m de altitude. A vista deste lugar é daquelas impactantes. Ali se deslumbra o Vale do Rio Canoas, com o rio marcando seu espaço.

thumb_IMG_0086_1024-minthumb_IMG_0063_1024-minthumb_IMG_0064_1024-minthumb_IMG_0077_1024-minthumb_IMG_0091_1024-minthumb_IMG_0095_1024-minthumb_IMG_0069_1024-min

O jantar deste dia foi muito especial. Não é um restaurante propriamente dito e sim a casa de duas mulheres super especiais. Elas são dentista e advogada e amam cozinhar. Por isso recebem pessoas para jantar em sua casa. Apenas se pode ir com reserva prévia. Não há nenhum placa avisando onde é, mas elas explicam muito bem por e-mail. Cada dia é um menu com entrada, prato principal e sobremesa por R$ 95 cada. No nosso dia recebemos primeiro uma cortesia de pinhões ao azeite. Nossa entrada foi um consomê de legumes, seguido pelo prato principal de lombo com cenouras caramelizadas acompanhado de arroz, brócolis e pinhão e, por fim, a sobremesa foi maçã ao vinho com molho de baunilha. Elas sugeriram um vinho ótimo para nosso jantar. A água (mesmo com gás) e os sucos foram todos cortesias. A casa é em madeira, aconchegante e batemos papos muito bons com elas.

Dia 3

Esse dia é dedicado a conhecer São Joaquim. Em 1,5 hora chegamos ao centro de São Joaquim. Vale um passeio para conhecer a Igreja Matriz, a fonte d`água que fica na mesma praça e o relógio que mostra a temperatura (muitas vezes negativas).

As grandes atrações de São Joaquim são mesmo as vinícolas. Aqui são produzidos os vinhos de altitude. Escolhemos almoçar na Monte Agudo. É possível também vir no pôr do sol tomar vinho comendo queijos e assistindo o astro rei cair pelo janelão.

thumb_IMG_0126_1024-min

O almoço era composto de entrada, prato principal e sobremesa. Acompanhando, havia espumante rosé, vinho rosé, vinho branco e vinho tinto. Todos eram servidos à vontade pelos garçons, o tempo todo. O preço é de R$ 154,00 por pessoa.

thumb_IMG_9462_1024-min

De entrada podia ser sopa de capeletti de frango ou carpaccio. Depois a escolha era truta com batata ou entrevero com arroz. A truta é típica da região sendo criada nos lagos gelados das serras. O entrevero, também típico, mistura carne bovina, suína, linguiça, bacon, temperos e o pinhão. A sobremesa podia ser torta de maçã ou uma mousse de doce de leite. Tudo muito gostoso, apesar de não vir numa quantidade tão grande (opinião do marido!).

A vista do local é muito bonita. Há um lago do lado de fora, na parte de baixo. Muito agradável. Ainda demos a sorte de encontrar amigos queridos por lá!

thumb_IMG_9468_1024-minthumb_IMG_9456_1024-minthumb_IMG_9457_1024-min

Foram esses amigos que nos convidaram a conhecer outra vinícola. Fomos até a Villaggio Bassetti, uma vinícola familiar. Inclusive foi o dono quem nos guiou. Ele nos levou até o local de armazenamento, nos mostrando os barris e contando um pouquinho da história. Depois, voltamos à recepção onde degustamos quatro vinhos sendo dois brancos e dois tintos. A visita custa R$ 40,00 e é abatida na compra de vinhos. O papo estava muito bom e acabamos esquecendo de tirar fotos (e o vinho ajudou…).

Saímos já de noite de São Joaquim e resolvemos voltar para Urubici. Mas, caso ainda haja tempo, vale visitar o local que indico no Dia 4 no final desse dia. Isso pois fica perto de São Joaquim.

Jantamos esse dia no Manali Bistrô. Um lugar super descolado e bem interessante. Os preços são ótimos. João comeu uma truta com massa ao pesto e eu um hambúrguer com gorgonzola. Tudo muito gostoso! Só ressalto que a comida demora um pouco.

Dia 4

Esse dia serve para fechar com chave de ouro as atrações das serras catarinenses. Nós não fizemos isto, mas estava nos planos.

A Serra do Rio do Rastro é um local único. Uma estrada que liga a serra ao litoral e possui mais de 200 curvas. Há vários mirantes ao longo da estrada. Tem muita gente que só vai lá em cima, no primeiro mirante. Isto eu recomendo se você quiser fazer no fim do Dia 3.

Tendo mais tempo, seria legal fazer o retorno a Florianópolis por esta serra. Mas se programe muito bem pois o caminho demora cinco horas por aqui (contra 3 horas pela outra estrada). E se for último dia de feriado, saia com uma boa antecedência para enfrentar trânsitos sem problema algum!

1

Fonte: wikipedia

Assim foi nosso feriado curtindo o frio das serras catarinenses. Um pedacinho especial desse Brasil!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s