Angkor Wat: como visitar e como entender os templos do Big Circuit

Angkor Wat é a grande atração do Camboja e, eu diria, do Sudeste Asiático como um todo. O império khmer, que já foi o mais importante à sua época, tinha como capital Angkor Wat. Inúmeros templos foram construídos ao longo do apogeu deste império e hoje, as ruínas dos mesmos, formam uma complexo maravilhoso.

thumb_IMG_1165_1024-min

Como visitar o complexo?

Primeiro, leia este post onde falo da cidade base, hotel, aeroporto e visto. Estando em Siem Reap, há três formas básicas de visitar o complexo:

1- Tuk tuk: diria que este é o meio mais usado. Negocia-se com um motorista e ele passa o dia o levando de templo em templo.

2- Bicicleta: para visitar os templos mais próximos, essa pode ser uma opção.

3- Carro: foi a forma que usamos e que eu recomendo sem sombra de dúvidas. O calor é extremo por aqui e passamos o dia saltando de templo em templo, andando debaixo de um sol escaldante, com pernas e ombros cobertos. É muito refrescante (eu diria essencial), entrar no carro com ar condicionado geladíssimo após cada templo.

Outro ponto importante é a questão do guia. Eu, sinceramente, acho essencial ter um bom guia explicando os templos. Caso contrário, nós iríamos nos cansar na metade dos templos e não entenderíamos os detalhes que diferenciam um do outro. Tem muita história nesse lugar!

Nós fechamos com a empresa Happy Angkor Tour pois li comentários muito bons no Tripadvisor. Fizemos o tour de dois dias. Apesar de ter um roteiro sugerido, nós fomos adaptando conforme nosso cansaço e vontade e o guia tentava nos levar nos templos fugindo das multidões. Pagamos 162 dólares por dois dias de passeio, com carro, motorista e guia. Além disso, ganhávamos toalhas refrescantes e água gelada o tempo todo! Este preço pode ser bem menor se for de tuk tuk e sem guia… nós preferimos investir aqui. O guia falava um inglês perfeito e extremamente fácil de entender.

No primeiro dia foi preciso comprar o ingresso para visitar o complexo. Como chegamos às 9 hrs, não pegamos fila nenhuma na bilheteria. O custo é de 63 dólares para dois dias, por pessoa. Muito importante ter este bilhete sempre com você pois há guardas em todos os templos cobrando o ticket.

Importante falar da roupa. Eles pedem para não ter ombros e pernas a mostra. Eu não arrisquei, apesar de não ver ninguém olhando a roupa. Sei que no templo de Angkor Wat realmente há uma exigência maior. Usei uma calça que ia até um pouco abaixo do joelho, de tecido bem leve e uma blusa de manga. O João usou bermuda sem problemas.

História

Escrevi bastante sobre a história do país e do complexo aqui. Um fato muito interessante é que este complexo todo foi abandonado com o declínio do império khmer. E aí, simplesmente ele foi esquecido! A natureza tomou conta dos templos. Claro que ele não foi totalmente esquecido pelo povo local e alguns monges viviam em alguns templos. Mas o mundo só foi saber deste tesouro quando um francês chamado Mouhot descobriu algumas ruínas no século XIX.

Quais templos conhecer?

A quantidade de templos é gigante e é impossível conhecer todos. Normalmente os turistas conhecem dois circuitos o Big e o Small. O primeiro engloba os templos mais afastados e distantes e o segundo os templos mais famosos e que ficam perto um do outro. Nosso roteiro foi o Big no primeiro dia e o Small no segundo. Mas acabamos adaptando um pouco ao nosso interesse.

Os templos do Big Circuit – nosso primeiro dia

Prasat Kravan (início do século X)

Apresentando um formato diferente, com cinco torres lado a lado, este templo tem um diferencial pois foi construído por uma fundação hindu, e não pelo rei.

thumb_IMG_0980_1024

Prasat Kravan hoje

Captura de Tela 2017-08-24 às 21.53.55

Prasat Kravan no passado (Fonte: The Angkor Guidebook)

Um dos diferenciais deste templo são as esculturas feitas diretamente nas paredes internas de cada torre. Na torre central estão três esculturas. Na esquerda, a deusa Vishnu (deusa da preservação, uma das três principais divindades do hinduísmo) representando a vitória sobre o demônio Bali. Na direita, a mesma deusa está em cima de Garuda, uma figura muito importante na religião hindu, representada por uma ave muito potente. Na parede central da torre, Vishnu é representada com oito braços, enquanto o usual são quatro (representando os quatros estágios da vida).

 

Este templo vem sendo reconstruído com a ajuda dos franceses. Reparem nos dois “terraços” que ficam por ali e podem ter servido como uma espécie de biblioteca.

thumb_IMG_0983_1024-min

Banteay Kdei (de meados do século XII)

Este templo é um dos que recebe menos visitantes, apesar de toda sua complexidade. Construído por um rei budista, Jayavarman VII, é conhecido como Cidadela dos Monges pois foi ocupados por estes ao longo de muitos anos.

thumb_IMG_1066_1024-min

Banteay Kdei hoje

atual

Banteay Kdei no passado (Fonte: The Angkor Guidebook)

O templo era cercado por quatro camadas de paredes e havia quatro entradas. Entramos por uma e saímos por outra. Cada porta era adornada por Garudas e, no alto, quatro faces de Avalokitesvara – criatura que representa a compaixão por todos os budistas pois já está pronta para alcançar o nirvana mas resolve esperar todos estarem prontos.

thumb_IMG_1075_1024-min

Alguns metros depois da entrada leste, fica um fosso pois por ali corre um rio (muito mais cheio na época das monções). Para guardar esta entrada, estão estátuas de leões e as nagas (serpentes de sete cabeças) com as garudas montadas. As nagas estão em vários templos e representam a serpente deusa da água, protegendo as fontes de água e a fertilidade.

As próximas paredes/entradas dão para uma área planejada em forma de crucifixo. Ali ficavam imagens de budas que foram destruídas ao longo dos reinos hindus. Vale reparar em todos os detalhes que cercam as paredes deste templo. As imagens do “Corredor de Dançarinas” são formadas por apsaras que são os espíritos femininos das nuvens e da água.

thumb_IMG_1006_1024-min

thumb_IMG_1007_1024-min

O Corredor de Dançarinas

Chegando ao centro do templo, observamos mais Dvarapala, que são simbologias dos guardiães dos portões. No centro ficava a imagem principal de Buda. Hoje só restou o pedestal.

thumb_IMG_1039_1024-min

Para terminar, demos uma volta para enxergar esta parte central do templo como um todo.

thumb_IMG_1050_1024-min

Pre Rup (meados do século X)

Este templo, dedicado ao rei Rajendravarman, tem três níveis e chega a 12 metros de altura. No alto estão cinco torres. O nome significa algo como “transformação do corpo” e está associado a função que acredita-se que o templo desempenhava, de crematório e funeral. Uma lenda diz, contudo, que o nome está ligado ao poder rejuvenescedor do templo pois um rei mais velho passou três meses neste templo e reapareceu mais jovem!

thumb_IMG_1085_1024-min

Captura de Tela 2017-08-25 às 18.34.04

Pre Rup por fora hoje (Fonte: The Angkor Guidebook)

Captura de Tela 2017-08-25 às 18.34.26

Pre Rup por fora no passado (Fonte: The Angkor Guidebook)

O templo é hindu e dedicado a Shiva, uma das três principais deusas hinduístas, representando a transformação e renovação. Repare na “cisterna” que abrigava, antigamente, uma imagem de Nandi, o touro da deusa Shiva e fica abaixo da escadaria.

thumb_IMG_1086_1024-min

Em cada uma das torres, dedicadas aos deuses hindus, estão representados do lado direito os guardiães masculinos e do lado esquerdo as devatas (divindades regentes da natureza).

Este templo é bem legal por seu formato diferente e pela vista que proporciona lá do alto.

thumb_IMG_1090_1024-minthumb_IMG_1089_1024-min

Banteay Samre (meados do século XII)

Este templo foi construído durante o reinado de dois reis, Suryavarman II e Yasovarman II, e é hindu. Apesar do mais comum ser a entrada norte, nosso guia nos levou para o lado sudeste onde fica uma calçada cercada por árvores que dá acesso ao templo. Esta era a entrada usada pelo rei. Na entrada, ficavam as estátuas de leões protetoras e as nagas.

thumb_IMG_1114_1024-min

Diferente de outros templos, este ficava cercado por água na época das chuvas. Isso dava um aspecto como o da foto abaixo, com o templo refletindo na água.

Captura de Tela 2017-08-26 às 11.07.53

Banteay Samre hoje (Fonte: The Angkor Guidebook)

Captura de Tela 2017-08-26 às 11.08.09

Banteay Samre no passado (Fonte: The Angkor Guidebook)

O templo está muito bem preservado e vale se perder olhando as gravuras marcadas nas paredes. As torres mais na lateral abrigavam as antigas bibliotecas do templo, que serviam para guardar os livros sagrados da religião.

thumb_IMG_1133_1024-min

thumb_IMG_1123_1024-min

Banteay Srei (meados do século X)

Este templo fica mais afastado, a 30 km dos templos mais turísticos. Mas vale demais visitá-lo!

Captura de Tela 2017-08-27 às 14.09.28

Banteay Srei hoje (Fonte: The Angkor Guidebook)

Captura de Tela 2017-08-27 às 14.09.42

Banteay Srei no passado (Fonte: The Angkor Guidebook)

O nome Banteay Srei significa cidade das mulheres. Contudo, o nome do tempo original, conforme inscrições, significava cidade de Shiva. Então, já dá para perceber que este é um templo hinduísta dedicada a deusa Shiva. Na parte central do templo, fica uma linga que representa esta deusa na religião.

thumb_IMG_1165_1024-minthumb_IMG_1170_1024-minthumb_IMG_1162_1024-minthumb_IMG_1160_1024-min

O templo foi feito sobre uma pedra rosada, o que o diferencia dos demais. Além disso, o detalhe das suas esculturas são incríveis! Repare nos detalhes da Devata, divindade feminina que fica nas torres nordeste e sudeste.

Banteay Srei pertencia a membros da elite e não ao rei. A parte central do templo, assim, só era acessada pela classe mais rica. Já as calçadas ao redor podiam ser acessadas por todos.

Phnom Bakheng (meados do século X)

Terminamos nosso primeiro dia assistindo ao pôr do sol neste templo. Ele fica lotado neste horário e só são permitidas 200 pessoas no alto. Por isso, se não chegar cedo, será preciso ficar esperando em uma fila enorme até alguém sair. Nosso guia, sabendo disso, nos levou em torno das 15:30 para lá. Ficamos muito tempo de fato esperando o pôr do sol, sem poder comprar uma água sequer pois não tem nada ali em cima. Mas valeu a pena!

thumb_IMG_9830_1024-minthumb_IMG_1232_1024-minthumb_IMG_1248_1024-min

Este templo foi construído a mando do rei Yasovarman para ser o centro da nova capital, Yasodharapura. Ele fica no alto de um morro e sua construção, em forma de pirâmide, representa a o Monte Meru, que é o lugar sagrado onde vivem os deuses hindus. Este monte possui cinco cumes que eram representados pelas cinco grandes torres que ficavam no último nível do tempo, sendo uma em cada ponta e a quinta no centro.

thumb_IMG_1185_1024-min

A torre central hoje

21105631_1607106355986758_5551537304833475307_n

A torre central e as demais no passado (Fonte: The Angkor Guidebook)

thumb_IMG_1189_1024-min

Ainda na simbologia, o tempo possui sete níveis, representando os sete níveis do paraíso hindu. Na base ficavam 44 torres, nos cinco níveis seguintes 12 torres e, no topo, as cinco torres já mencionadas. Excluindo a central, existiam 108 torres. Este é um número importante na religião e está ligado às fases lunares

thumb_IMG_1184_1024-min

Anos depois, este templo foi transformado em budista e uma imagem de Buda foi posta no centro. Hoje essa imagem não está mais por ali.

thumb_IMG_1183_1024-min

A vista desde cima do templo

thumb_IMG_1228_1024-min

Quem quer ver o pôr do sol desde o balão?

E assim terminamos um dia bem cansativo, mas recheado de história e admiração pela arquitetura e organização de uma civilização tão antiga e distante de nós!

 

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s