Conhecendo Cuzco em 4 dias

Cuzco, o berço do império inca. Uma cidade única e inesquecível. Sem dúvidas, a minha (e a de quase todos turistas) cidade peruana favorita.

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Linda Plaza de Armas em Cuzco

Começando do começo, a palavra Cuzco (ou Cusco) vem do quechua Qosqo e significa umbigo. Para os incas, aqui era o umbigo do mundo. O idioma quechua era praticado pelos incas e, até hoje, é um idioma oficial da região.

A fundação de Cuzco se deve a Manco Capac, inca que recebeu sinais do Deus Sol (Inti) de que aqui deveria ser construída a capital do império. A cidade floresceu de tal forma que era a mais importante das Américas antes da chegada dos espanhóis, tendo 100 mil habitantes.

A grande autoridade política do império era conhecido como Inca e considerado descendente do deus-sol. A sociedade camponesa se organizava nos chamados ayllu, pequenos grupos, onde organizavam o trabalho agrícola e sua comunidade. O avanço da sociedade inca era enorme e refletia na agricultura avançada, plantada em degraus para se adaptar a diferentes temperaturas e incidência solar. Construíram canais de irrigação também, assim como domesticaram a lhama.

Na religiosidade, os incas adoravam diferentes elementos da natureza e, constantemente, faziam sacrifícios, inclusive com humanos.

Cuzco é a cidade continuamente habitada mais antiga das Américas. O império se estendia por muitos kms, sendo interligado por estradas construídas em pedra que facilitavam o deslocamento e a comunicação.

A chegada dos espanhóis foi crucial para o fim do império inca. Usando armas nunca vistas pelo povo inca, como cavalos, armaduras e canhões, eles chegaram e, ainda por cima, trouxeram a varíola. Os incas foram dominados e os europeus começaram a construir diversos monumentos católicos por cima das construções incas.

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Cuzco visto de cima

Hoje Cusco é uma cidade turística e cheia de história e beleza. Sua bandeira é um arco-íris, quase igual a do movimento gay, diferenciando apenas por possuir uma cor a mais. Reserve alguns dias para a cidade e para os arredores. Tirando nossa ida a Machu Picchu, tivemos 4 dias em Cusco que foram muito bem aproveitados como explico abaixo.

Dia 1

Como expliquei no primeiro post, por conta da altitude de Cuzco, por ser a primeira cidade que fomos no Peru e, ainda por cima, por eu estar grávida, tiramos o primeiro dia para não fazer nada. Apenas almoçamos em um restaurante na Plaza de Armas e fomos ficar estirados no hotel. Eu descobri que estava grávida dois dias antes de viajar e, com a liberação da minha médica, pude viajar mas fiz tudo com muito mais calma que o normal!

Então o dia 1 da viagem foi de fato o segundo dia. Após o café da manhã, fomos até a agência em que tínhamos reservado nossos passeios previamente pela internet, a Willka Travel. Ao longo dos dias relato alguns dos problemas que tivemos com esta agência.

Aproveitamos para passear no Museu Histórico Regional que conta a história da região desde a pré história até a época colonial. Vale como introdução a todos os passeios que virão.

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Pátio do Museu Histórico

Na parte da tarde, fizemos o primeiro passeio clássico que se chama City Tour (preço de 20 dólares por pessoa em grupo pequeno). A primeira falha da agência foi ter esquecido de nos buscar no hotel e, com isso, perdemos a primeira parte que era uma visita guiada a Catedral (fomos no último dia depois).

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A próxima parada foi ao templo Qoricancha. Este era o templo mais importante dos incas, dedicado a vários deuses e todo coberto de ouro. Com a conquista dos espanhóis ali foi criada a Igreja de Santo Domingo.

De ônibus seguimos para alguns sítios históricos na proximidade de Cusco que fazem parte deste passeio. Saqsawamán é o mais importante e impressionante deles. Muralhas de pedras enormes nos fazem viajar sobre como os povos antigos conseguiram carregá-las sem  roda, já que não a conheciam. O local pode ter tido função religiosa, de lazer ou mesmo militar.

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Depois, continuamos subindo e fomos conhecer o sítio arqueológico Qenqo.  Esta palavra significa zigue-zague e o formato do local imita uma cobra. Entrando abaixo do solo, os incas acreditavam que estariam mais conectados a deusa terra, Pachamama.

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Entrando abaixo da terra

Por fim conhecemos Tambomachay que são as ruínas de um banho cerimonial e um lugar que servia de descanso para os antigos viajantes. É preciso subir uma ladeira a uma altitude bem grande. Mas vale a pena ver ainda a água escorrendo por ali até hoje.

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Dia 2

Neste dia fizemos o passeio Moray e Salineras (20 dólares por pessoa). Pela manhã fomos pegos no hotel e seguimos para a primeira parada em Chincero, em uma das diversas oficinas em que as mulheres produzem seus artesanatos. Uma aula sobre a produção da coloração das lãs e um chá de muña servido. Tempinho para compras também.

Seguimos para Moray, local que era usado pelos incas para suas experiências agrícolas. Foram criados quatro terraços em locais distintos. Todos formados por diversos degraus. Os degraus serviam para diferenciar as temperaturas e, assim, era possível plantar diferentes tipos de alimentos e saber em qua microclima eles dariam certo. Dessa forma, os incas conseguiram adaptar tanta diversidade de alimentos e serem exímios produtores agrícolas.

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A partir daqui fomos para as Salineras de Maras. O lugar é formado por várias salineras de sal, formando um lindo aspecto aos olhos. Cada salinera pertence a uma família que explora ali em formato de cooperativa. O mais incrível é pensar que esse sal todo existe porque há milhares de anos existia um oceano na região!

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Antes de chegarmos, paramos em uma loja que vendia os três tipos de sal que são produzidos na salinera. O primeiro é o sal marrom que possui fins medicinais. O segundo sal é mais refinado e puro e serve para a alimentação. Por fim, é produzido o sal rosa, bem refinado e conhecido por fazer muito bem à saúde. Ainda provamos um chocolate com sal.

Dia 3

Este dia foi reservado para fazermos o famoso passeio chamado de Vale Sagrado, em grupo pequeno (20 dólares por pessoa). Saímos com um mochila pois seguiríamos para Machu Picchu ao final e deixamos nossas malas grandes no hotel em Cuzco.

No caminho em direção a Pisac tivemos nossa primeira parada no meio da estrada para uma linda vista do vale.

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Depois, tivemos um tempo para passearmos pela feira de Pisac onde vários artesãos vendem de tudo um pouco. Também rola uma parte de feira de frutas tipo as que temos aqui pelo Brasil.

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Finalmente chegamos ao sítio arqueológico de Pisaq! Um grande complexo de ruínas que já teve função militar mas acabou virando um povoado, com funções residenciais e religiosas. O Templo do Sol é a principal ruína do sítio. Degraus para experimentos agrícolas também existia por aqui. Por fim, dá para ver na montanha buracos onde antes eram enterrados os mortos mumificados junto com muitos artefatos e ouro, que usariam na próxima vida. Claro que quando os espanhóis chegaram, tudo isso foi furtado.

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Seguimos viagem em direção a Urumbaba onde a parada foi apenas para um almoço que acabamos ganhando da agência para compensar os erros que tiveram com a gente.

Finalmente chegamos a Ollantaytambo. Esse é um dos sítios arqueológicos dos incas mais recente. Foi construído por um general chamado Ollanta que frequentava a casa do inca Pachacutec e acabou se apaixonando por uma de suas filhas. O relacionamento não foi aprovado e o general fugiu e construiu a cidade de Ollantaytambo. Depois que o imperador morreu, o general se casou com a sua amada!

Dentro do complexo, há diferentes ruínas de templos com função religiosa. Na época da invasão espanhola, aqui também serviu como uma fortaleza de resistência dos incas. Vale subir a escadaria para ver a fortaleza lá de cima. Nós ficamos por baixo mesmo e super valeu.

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Acabando o tour, fomos para a estação de trem que fica ali do lado e embarcamos rumo a Águas Calientes, onde dormimos para visitar Machu Picchu.

Dia 4

Como falei acima, fomos e voltamos de Machu Picchu dormindo um dia por lá. Então este quarto dia em Cuzco representou o dia 5 da viagem. O foco nesse dia era andar pela cidade sem muito rumo.

Começamos pela bonita praça que fica ao lado do Monasterio de Santa Catalina de Sena.

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Depois, entramos na Catedral que não fomos no tour com a agência por erro deles. Pagamos uma guia que era descendente inca e valeu super a pena. A catedral é cheia de significados e história e foi bem legal ter ela contando tudo isso para a gente.

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Demos uma volta pela linda Plaza de Armas, onde fica o Museu de História Nacional dentro de uma antiga igreja.

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Fomos andando, conhecendo outras construções e reparando nos lindos casarões coloniais.

 

Passeamos pelo Mercado de San Pedro e fomos na igreja que fica logo ao lado.

Andamos pela região do Convento de São Francisco que fica em uma linda pracinha.

Almoçamos, descansamos e voltamos para ver a cidade pela noite. Cusco é linda e fascinante! Amamos nossos dias por aqui.

 

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