Cuba: dicas e nosso roteiro de 8 dias no país

Cuba era um desejo antigo. E daqueles que urgia com medo das mudanças possíveis que a ilha vem passando. Afinal conhecer esse país que ainda resiste no socialismo é uma experiência de vida.

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Um pouco de história…

Cuba foi colonizada pelos espanhóis com a chegada de Cristovão Colombo. Nessa época, a ilha era local de produção de cana de açúcar e tabaco para os europeus. Em 1898, os EUA travaram uma luta com a Espanha e ganharam o domínio tanto de Cuba como de Porto Rico. Mas cederam a independência três anos depois. Em 1933, ocorreu um golpe e a subida de Fulgêncio Batista ao poder cubano. Foi instalada uma ditadura aliada aos EUA. Cuba, nesta época, era uma ilha cheia de dinheiro dos americanos, com cassinos, casas de show, muito luxo, mas claro que isto era restrito aos ricos e aos americanos turistas por ali.

 

 

O governo de Fulgêncio foi marcado por opressão e corrupção, o que fez crescer no país um movimento contrário. Estes opositores, cujos principais foram Che Guevara e Fidel Castro, conseguiram dominar Havana em 1959 e Fidel se tornou o novo líder do país. Um regime socialista foi instalado e, com isso, ocorreu a reforma agrária com as terras se tornando coletivas, todas as empresas foram nacionalizadas e acabou a propriedade privada de imóveis.

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Como tudo isso aconteceu em meio a Guerra Fria, os EUA cortaram relações com Cuba e impuseram diversos embargos ao país. Contudo, com a ajuda da União Soviética, Cuba vivia bem. Isso porém acabou em 1991, com o fim dos soviéticos. A crise econômica começou e passam a faltar alimentos na ilha. O que vemos hoje em Cuba é um país que ainda persiste no socialismo mas que enfrenta diferentes problemas.

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O que achei de Cuba

Cuba é um país único mesmo. Acredito que foi uma experiência de vida ver um pouco da realidade socialista da ilha. Não há moradores de rua ou violência em Havana, a capital do país. Isso, com certeza, é maravilhoso! Andávamos sozinhas pela noite, por ruas escuras, duas mulheres, sem medo algum. Além disso, todos tem direito a saúde gratuita e, pelo que nos falaram, saúde de qualidade. A educação também é gratuita e não há analfabetos no país.

Realmente isto tudo é maravilhoso. Contudo, tudo tem seu lado bom e ruim, certo? E o lado ruim de um sistema igualitário começa na falta de estímulos ao crescimento. Um engenheiro por lá ganha em torno de 40 dólares por mês, só um pouco a mais do que um funcionário sem ensino superior. Ou seja, porque me esforçar tanto numa faculdade se não terei retorno financeiro quase algum? Com isso, vimos muitos cubanos que simplesmente não trabalham. E a educação, que já foi muito boa, está decaindo porque não ha mais professores tão bons.

Todos os cubanos ganham uma determinada quantidade de alimentos por mês. Contudo, devido à crise, a quantidade é muito pequena e sem quase nenhuma variedade. Leite de vaca, por exemplo, só para quem tem criança. E quando acaba sua comida, só comprando. Mas lembra que o salário é super baixo? E mesmo assim, não tem muita variedade para comprar. Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi como os supermercados ou lojas de conveniência na estrada são vazias! E mesmo assim os produtos que existem são padronizados. Não há marketing porque não há concorrência. Então, o pacote de biscoito é simples e não nos atrai tanto. E aquilo de turistar e, de repente, entrar numa lojinha para comprar uma água e um salgado é bem difícil por aqui.

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Achamos um mercado!

Além disso, a censura e restrição da internet aos cubanos também são bem ruins. A hora da internet (sinal horrível e restrito) custa 1 euro. Que cubano tem esse dinheiro sobrando com o salário básico que possuem? Para terminar, achamos as ruas de Havana Central, onde ficamos, muito sujas e as casas bem acabadas.

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Havana Central

Bom, para mim conhecer Cuba é essencial para todos que querem abrir um pouco o horizonte e tirar suas conclusões sobre sistemas diferentes do que vivemos. Sem dúvida, para a grande maioria pobre e miserável de brasileiros, ter sempre alguma comida, educação e saúde razoáveis gratuitas e nada de violência parece muito bom.

Roteiro em Cuba

Vamos então a parte prática da viagem! Cuba é uma ilha razoavelmente grande. Tem praias belíssimas! Decidir esse roteiro foi bem complexo!

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olha a cor da água!!

Claro que Havana entra no roteiro de todos! Chegamos e saimos pela capital. Dedicamos 3 dias à cidade. Foi um tempo perfeito para a gente. Depois decidimos conhecer Trinidad, uma cidade pequenina, ao sul da ilha, que é muito famosa por seu charme e beleza. Lá ficamos 2 dias. Por fim, vamos às praias! Pensei muito em conhecer alguns cayos (pequenas ilhas) famosos e de água turquesa. Mas pela logística envolvida e também pela infraestrutura, fomos a Varadero mesmo e ficamos 3 dias. Então, ficou assim:

Dia 1 – chegada pela manhã aeroporto de Havana + transfer agendado com nosso airbnb + conhecer a capital

Dia 2 e 3 – desbravar Havana

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Dia 4 – táxi particular de Havana para Trinidad (quase 5 hrs de viagem) + conhecer Trinidad

Dia 5 – passeio por Trinidad

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Trinidad vista de cima

Dia 6 – táxi particular de Trinidad para Varadero + relaxar no hotel

Dia 7 – aproveitar hotel

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Eu e minha pequena em Varadero

Dia 8 – táxi particular de Varadero para aeroporto de Havana

Onde ficar?

Hospedagem em Cuba é um assunto levemente complicado. Hotéis são poucos e muito caro. Então o jeito para tentar economizar um pouco é se hospedar na casa de cubanos. Além de tudo é uma ótima forma de conhecer o povo local.

Hoje em dia é bem mais fácil encontrar estas casas de particulares pois o Booking.com e o Airbnb já funcionam para reservas no país. Eu pesquisei MUITO pois queria um lugar bem localizado, bem avaliado e que fosse bem legal pois viajei com minha mãe e grávida.

Havana – as hospedagens em Havana Vieja, o centrinho mais turístico, estavam bem limitadas pois decidimos essa viagem um pouco em cima da hora. Por isso, nos hospedamos em Havana Central, o bairro logo ao lado. Este bairro é bem local, cheio de moradores cubanos. Isso foi bem interessante pois nos deu a oportunidade de conhecer de fato a vida real cubana. Reservamos pelo Airbnb um quarto em Casa Lunass with Art in Havana Center 3 no valor de 35 dólares a diária. O quarto tinha ar condicionado muito potente, um frigobar, uma cama de casal e uma de solteiro, TV e super limpinho. As proprietárias eram super tranquilas, apesar de não conversarem muito com a gente. Único porém é que ficava no terceiro andar sem elevador. Muita escada com as malas! O café da manhã custava 5 CUC e era bem gostosinho.

Trinidad – a cidade é minúscula e também reservamos pelo Airbnb. Adoramos muito a hospedagem! Parecia uma pousada super charmosa, com os quartos em estilo colonial e um café da manhã maravilhoso servido no jardim. Além disso, o casal era muito simpático e batemos muito papo! O lugar era o Gardenia´S Hostal e nos custou 35 dólares a diária. O café da manhã também era a parte por 5 CUC.

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Casinhas de Trinidad

Varadero – aqui o esquema é diferente. Afinal estamos falando de uma cidade praiana de resorts. Por isso, resolvemos nos hospedar em um hotel mesmo, daqueles com tudo incluído. Há várias opções e fomos no melhor custo benefício que achei no Booking. O hotel foi o Starfish Varadero e escolhemos um Bangalô que ficava mais perto da piscina. Pagamos 130 dólares a diária com todas as refeições incluídas. Além disso, algumas atividades na praia também estavam no valor. O quarto era meio antigo, com alguns vazamentos e pintura mal feita. Mas era bem grande e confortável. O hotel tinha piscina e praia maravilhosa logo em frente. As refeições eram bem fartas mas nada excepcional.

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Transportes

Outro assunto super difícil em se tratando de Cuba. Aqui nada de uber ou aplicativo para chamar táxi!

Começando pelo transporte dentro de Havana. Para irmos do aeroporto para a hospedagem e vice e versa, pedimos um transfer para nossa proprietária. Nada mais era do que um amigo dela com seu carro – daqueles bem antigos, tipo década de 80 do Brasil. Mas ele era super simpático e foi nos dando várias dicas. Pagamos 30 CUC. Os outros deslocamentos em Havana fizemos a pé (caminhamos muito!) ou usando o ônibus hop on hop off que existe por lá. Mas há muito táxi e cocotáxi (estilo asiático) pelas ruas.

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Para irmos de Havana para Trinidad e de Trinidad para Varadero havia três opções: ônibus para turista da cia Viazul, táxi compartilhado ou táxi privado. A passagem do ônibus online estava esgotada para nossos dias e precisaríamos chegar antes no dia para comprar. Além disso, o ônibus sai e chega da rodoviária e teríamos que nos deslocar até as hospedagens com malas. O táxi compartilhado funciona juntando 4 pessoas e indo ao destino. Mas sabíamos que a viagem era longa e ia ser muito desconfortável irmos super apertadas. Resolvemos ir de táxi privado. Mas preparem o bolso! Incrível como é caro! Eu pesquisei muito e achei um site online que reservava os táxis e era menos caro. Só que fiquei bastante irritada pois perguntei antes se todos os carros tinham cinto de segurança e ar condicionado, o que for veementemente afirmado. Mas adivinhem? Nada de cinto! O ar tinha sim. Os carros eram meio antigos, mas os motoristas uns queridos. O trecho Havana – Trinidad custou 170 CUC e o Trinidad – Varadero foi 180 CUC.

Em Trinidad fizemos tudo a pé e, um dia, pegamos o ônibus turístico para conhecer a praia. Em Varadero, só saímos do hotel um dia usando o ônibus turístico também.

O retorno de Varadero direto para o aeroporto de Havana reservamos com a ViajesKronos e custou 15 dólares por pessoa. Esse trecho é bem mais popular e com preços bem mais acessíveis. Como não fecharam o número de pessoas para um mini ônibus, mandaram um táxi particular. Esse sim era mais novo e com cinto de segurança.

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Vale qualquer transporte

Dicas Práticas

Em Cuba tudo é um pouco mais difícil de organizar já que não temos internet livre. Então vamos às dicas práticas dessa viagem!

  • Visto: precisamos de um e a forma de conseguir é comprando com a companhia aérea ou pedindo ao consulado no Brasil. Como fomos de Copa Airlines e eu liguei para confirmar, deixamos para comprar com eles, no balcão no Panamá.
  • Imigração em Havana: é muito lenta e devagar, bem parecido com serviços públicos do Brasil. Será preciso mostrar a carteira de vacina da febre amarela logo depois da imigração.
  • Câmbio: o melhor valor em Havana é, incrivelmente, no aeroporto. Assim que sair para o lado de fora estará uma cabine com fila para câmbio. Além disso, leve euro! o dólar é taxado. Trocamos dinheiro no hotel de Varadero também. Em Trinidad, o banco para trocas estava muito cheio e preferimos sacar com nossos cartões.
  • Moeda: existem duas moedas no país – o CUP e o CUC. Para nós turistas, tudo é cobrado em CUC e sua equivalência é ao euro (1 CUC = 1 euro). O CUP é muito mais barato, mas restrito aos locais.
  • Internet: é horrorosa, mas existe! É preciso comprar uns cartões que dão acesso a horas de internet e o valor é de 1 CUC por hora. O negócio é que precisamos achar onde há o wifi que permita logar. Quando vir um grupo junto na rua mexendo no celular é porque deve ter uma internet. Nas duas casas de locais em que ficamos havia internet e bastava colocar o código dos cartões. No hotel de Varadero também. Tirando a de Varadero, as outras internets eram bem ruins.

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  • Golpe do charuto: a segurança em Havana é ótima mas existem sempre os famosos golpes nos turistas. Não caimos no golpe mas tentaram. Um senhor super simpático veio puxar papo falando do Brasil e foi nos levando para uma rua onde se vendia os charutos muito mais baratos porque era o dia em que estava acontecendo um evento único na cidade. Nós nos desviamos porque eu tinha lido sobre isso. Normalmente são charutos falsos ou os que eles ganham do governo para consumo e são proibidos de vender (normalmente são os que não passaram no teste de qualidade).

Adorei ter ido a Cuba! Vá, conheça e sinta esse país!

 

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