Viagem com Bebê – o que aprendemos em 1 ano

Esse post é muito especial para a gente. Quando engravidei, fiz questão de procurar muitos blogs e instagrans de famílias que viajam com seus filhos, para poder nos inspirar. Sabíamos que íamos viajar com nossa pequena. Mas, quando chega a hora H, confesso que dá um bom medinho. São muitas variáveis para pensar! Mas hoje, com a Clara com 1 ano recém completado, podemos dizer que é muito mais tranquilo do que parece e que essas pessoas que adoram nos dizer “nossa, vão viajar com bebê? Porquê? Ela não vai curtir!” ou “nossa que corajosos vocês são!” não sabem de nada!

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Em Ghent

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A pequena curtiu muito em Brugges

Clarinha iniciou as viagens em um feriado, com 3 meses, para Conservatória, uma cidade a 3,5 horas daqui do Rio de Janeiro. Depois, outra viagem de carro para Búzios (4 meses). A primeira viagem de avião foi com 4 meses para passar o final de semana em São Paulo visitando o titio. Depois, com 5 para 6 meses passamos o Reveillon em Aracaju, só nós três. No Carnaval (8 meses), fomos com a família toda para João Pessoa. Na Páscoa (9 meses) mais uma vez fomos a Búzios. E, por fim, agora em maio e junho tivemos nossas primeiras férias do ano e fomos nós três para a Europa por 3 semanas, com a Clara indo com 10 e voltando com 11 meses.

Vou listar abaixo todas as dicas que seguimos ou aprendemos na prática e fez tudo ser tão prazeroso!

Escolha do Destino

Como relatei acima, nossa primeira estratégia para tudo dar certo foi ganhar confiança. Por isso, começamos numa viagem de carro perto pois qualquer problema era só voltar. A primeira viagem de avião escolhemos um vôo super curto para testar. E fomos aumentando aos poucos o tempo dentro do avião (40 min, 2 horas, 3 horas e, por fim, 10 horas). Isso nos deu confiança.

Eu super acredito que há criança em qualquer lugar e que podemos viajar para onde quisermos. Mas, como pais de primeira viagem, é importante sempre irmos ganhando confiança. E, por isso, preferimos escolher a Europa tradicional como primeiro destino internacional. No Brasil viajamos principalmente para lugares de praia e esses são locais certeiros para bebês!

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Praia em Búzios

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Lisboa para começar as viagens internacionais

Viagem de carro, avião, trem…

Começamos as viagens de carro pois já sabíamos como ela era na caderinha, não tem outras pessoas para incomodar, temos total flexibilidade de parar onde quisermos e, qualquer coisa, voltamos correndo para a casa. Na primeira viagem pegamos muito trânsito! E nossas táticas foram: levar brinquedinhos que ela gostava na época para distrair, levar mamadeira (ou com meu leite ou com água+pó), chupeta e colocávamos no bluethooth do carro as músicas que ela gostava para dormir. Além disso, quando ela estava dormindo não parávamos de jeito nenhum e, ao contrário, quando ela estava acordada e chorando, parávamos. Precisei trocar fralda em posto de gasolina em algumas viagens e encontrei fraldário bons em alguns e, nos que não rolava, trocava no banco de trás do carro.

O avião era meu maior medo por causa da pressão no ouvido e por não imaginar como ela iria se comportar. O primeiro ponto foi muito tranquilo! Em todas as decolagens e pousos (em que ela não estava dormindo) rolou leite no peito ou na mamadeira e chupeta. A sucção ajuda muito a não ter dor e, com a gente, deu muito certo! Quanto a comportamento e distração, falarei melhor em um item mais a frente!

Na nossa viagem pela Europa, também viajamos de trem. Em um deles pagamos a mais por uma área específica para famílias e foi ótimo. Nos outros, fomos de assento normal e muita distração para a baixinha! Bebês não pagam o trem!

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No trem…

Documentação

Depois de escolher o destino e definir seu meio de transporte, hora dos documentos. A Clara tem número do RG e CPF desde a certidão de nascimento. Quando ela fez 4 meses, marquei de fazer a identidade. Aqui no Rio eles tiraram a foto dela no DETRAN e foi muito tranquilo.

Na viagem internacional, pode ser preciso o passaporte. O chato é que para bebês de até um ano, o passaporte vale apenas um ano. Vai crescendo a validade com a idade. Agendei o passaporte para ser feito dois meses antes da nossa viagem. Os dois pais precisam estar presentes na hora de solicitar o documento e devem assinar um termo onde dizem se autorizam o bebê a viajar com outros adultos, ou com apenas um dos pais ou apenas com os dois pais presentes. É preciso levar a foto do bebê. Nós tiramos em uma loja aqui perto e foi muito tranquilo. Para retirar o documento pronto, basta um dos pais e a criança irem.

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Depois, só curtir

Arrumando a Mala

Documentos em mão, hora do desafio da mala!

O maior desafio foi a viagem para a Europa que durou 20 dias. Decidimos que iríamos levar duas malas médias para nós três e duas malas de mão (uma sendo despachada).  Eu fiz uma lista uma semana antes e fui conferindo ao longo de um dia se estava tudo incluído.

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Ajudando na mala

Vamos por tópicos:

  • Roupas: nós viajamos na primavera europeia (maio e junho) e tinha previsão de calor e frio. Eu montei “looks” previamente e guardei cada um em um saco zip lock (dica que li no site Próximos Destinos). Todos os sacos foram dentro de um saco a vácuo, para ocupar menos espaço. Os looks tinham bodys/blusas curtas e longas, com casaco e calça ou vestido e meia calça. Por fora, em um organizador de mala, levei alguns bodys curtos e longos de reserva, calças finas que colocaria debaixo da outra caso fizesse frio, os macacões de dormir, um casaco médio e um casaco de inverno (comprei no Brasil na Zara). Sapatos, meias, um par de luva, gorro e um chapéu de sol foram em outro organizador. A ideia dos zip lock foi muito prática mesmo! Todo dia eu puxava um look completo e colocava outro na mochila. E, sim, lavei roupa no meio da viagem.
  • Levei também lençol (caso o airbnb não tivesse – e, de fato, precisei usar), toalha (quando tinha no local eu usava a de lá), uma manta fina e uma mais grossa para cobrir no carrinho e paninhos de boca.
  • Itens de Higiene: um shampoo e sabonete líquido, escova, repelente, protetor solar, pomada, lenço umedecido e fralda para o período inteiro (se não tivesse muita fralda em casa, deixaria para comprar lá porque é muito trambolho).
  • Itens de Alimentação: na mala despachada, levei latas de leite suficiente para o período. Como a Clara toma um leite um pouco diferente fiquei com medo de não achar (e, de fato, não vi o leite dela por lá). Também gostei da dica do Próximos Destinos de levar feijão Vapza daqui. Comprei o orgânico e achei muito prático! Fora isso, colheres e babadores foram na mala grande.
  • Mala de mão: na mala que foi com a gente, levei quatro mudas de roupa sendo uma bem quente porque o avião pode ser bem frio; a farmacinha com todos os remédios indicados pelo pediatra; quatro papinhas Nestle e quatro Pic Me de fruta; colheres, mamadeira com água e uma lata de leite; uma manta; kit para troca de fralda com umas 10 fraldas (prefiro pecar pelo excesso); brinquedos para distrair.
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Look frio em Ghent

O Avião

Um dos momentos que imaginei que fossem ser mais chatos eram os vôos. O primeiro ponto é a pressão no ouvido. Aqui, a dica é manter a sucção na subida e descida para aliviar. Então, em todos os vôos, na subida ou descida, se a Clara estivesse acordada, rolava peito, mamadeira e/ou chupeta. E ela não sentiu nada!

O segundo ponto é a distração dos pequenos. Nos vôos internos no Brasil foi tudo muito tranquilo pois, além de serem curtos, a Clara era um bebê pequeno que ficava no colo o tempo todo. Já na Europa, a Clara já engatinhava e, no vôo da volta, já andava. A ida foi vôo noturno e a volta diurno. Sinceramente, nem sei qual escolheria como melhor pois achei todos cansativos!

A Clara já não cabia no bercinho que os aviões tem. Porém, mesmo assim, eu liguei previamente para a Tap e pedi para nos colocarem nos primeiros assentos, o que foi essencial! O vôo noturno foi meio tenso pois estavam nascendo três dentes ao mesmo tempo e, além disso, estava muito frio na nossa fileira. E a consequência disso foi que ela dormiu apenas 3 horas do vôo inteiro! No vôo diurno ela dormiu umas 4 horas. E o que rolou nas outras 6/7 horas de vôo? Muita criatividade e paciência! Eu comprei no Saara (mercado popular aqui do Rio) algumas bugigangas novas para distraí-la. Comprei livro de adesivos, um livrinho novo, uma mola, uns cubos e alguns outros brinquedinhos pequenos. E puxava um novo a cada instante (e isso adiantava por uns 5-10 minutos). Rolou muita caminhada pelo avião e interação com as outras crianças também. Por fim, colocávamos o Mundo Bita no celular. E, naquela contagem regressiva demorada, as 10 horas passaram!

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Momentos que valem o vôo…

Vale muito a forma que os pais encaram. O vôo é um período limitado, muito pequeno perto de tudo que será vivido. As horas do vôo passam! E se você não curte ficar aquelas horas todas espremidos naquela poltrona, porque seu bebê tem que gostar?

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Alimentação

As primeiras viagens que fizemos, em que ela só mamava, foi tudo muito fácil e prático! A primeira viagem que fizemos em que ela comia foi para Aracaju, mas eram só frutas e pela manhã. Então eu dava a do café da manhã do hotel mesmo. A segunda viagem comendo foi para João Pessoa e ela já fazia todas as refeições mas naquele esquema sem sal e açúcar. Encomendei para os 5 dias em que ficamos por lá as comidas congeladas do Gourmetzinho. Eles me entregaram toda embalada, dentro de uma bolsa térmica com gelo e, chegando lá, coloquei no frigobar. O almoço rolava na praia, normalmente, então eu pedia para o hotel esquentar e colocava no pote térmico da Skiphop que é uma das melhores aquisições de enxoval que fizemos.

A viagem para a Europa foi um desafio nesse item para mim. Não tinha como encomendar todas as comidas prontas dessas empresas porque ia ser muito caro e teríamos deslocamentos internos, sem ter como preparar a bolsa térmica. Em nosso primeiro destino, Lisboa, ficamos em um hotel. E dei papinha pronta mesmo. Levei algumas Nestlé e comprei lá umas orgânicas que achei em uma loja tipo Mundo Verde. As frutas comprei no supermercado de lá e também dei muitas vezes aquelas prontas, tipo a Pic Me (lá fora existe uma infinidade dessas!) que são só frutas. Nos outros lugares, ficamos em Airbnb e então eu cozinhei. Mas foi tudo muito prático! Comprava os legumes prontos e cortados que tinham no mercado, batata já descascada e de proteína era carne moída ou ovo ou frango quando achei pronto e desfiado. Também levei do Brasil pacotes de feijão e quinoa Vapza. A linha orgânica não tem sal e já vem pronto. Basta refogar e pronto! Além disso, na viagem a Clara experimentou aquelas bolachas de arroz e pão, o que nos salvou muito para distraí-la nos restaurantes.

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Quanto às mamadeiras, levei o número de latas suficiente para toda viagem. Comprei também na Alobebê um escorredor de mamadeira portátil. Levei junto com uma esponja e potinho de detergente. Lavava tudo na pia do hotel ou da cozinha nos Airbnb. Eu só esterelizei mamadeira e chupeta até os 3 meses, por recomendação do meu pediatra. E na única viagem que precisei, usei o saco de microondas da Avent para esterelizar.

No embarque tanto nacional quanto internacional, aqui e lá fora, não tive problema em entrar com a mamadeira já com água. As papinhas também não foram problemas, mas na Alemanha pediram para retirar e levar numa outra máquina.

Hospedagem

Nas primeiras viagens da Clara escolhemos ficar em hotéis. Pela segurança de ter uma recepção 24 horas, pela comodidade de estar sempre arrumado e porque a Clara ainda não se movia. Sempre reservamos pelo Booking. Na hora da reserva nunca coloco uma criança na busca pois isso aumenta o preço sendo que bebês quase nunca pagam nada. O que eu faço é sempre ler na parte “Bom Saber”, na parte debaixo da página do hotel no Booking, se aquele hotel aceita criança e se oferece berço. Depois, ao finalizar a reserva, escrevo um Pedido Especial solicitando o berço. Nunca tive problema e fiquei supresa positivamente pela facilidade que é encontrar hotéis que oferecem berço.

Na Europa resolvemos ficar na primeira cidade em hotel e depois em Airbnb. E amamos a experiência de Airbnb com bebê um pouco maior. O site do Airbnb tem um filtro que já permite selecionar apenas os apartamentos que oferecem berço. O que mais curtimos foi o espaço pois a Clara começou a andar e gostava de explorar tudo, a cozinha que nos permitiu tanto preparar as comidas dela quanto jantarmos enquanto ela dormia e a máquina de lavar que nos ajudou muito com as roupas dela. Viramos fãs!

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Hotel com piscina também é tudo de bom!

Seguro Viagem

Sempre viajamos com seguro viagem. Mas quando éramos apenas nós dois, rolava o seguro do cartão de crédito. Com a Clara não quisemos arriscar. Então, procurei no site ComparaOnline e contratei o que achei o melhor. Logo no segundo dia de viagem, ela teve uma febre bem leve, mas já fiquei preocupada. Mandei mensagem de whatsapp para o seguro perguntando qual era o hospital mais perto caso eu quisesse ir. Eles me responderam de imediato e isso me tranquilizou muito. No final, não foi preciso e curtimos a viagem inteira sem problemas.

Rotina na Viagem

Cada família tem sua rotina e seu jeito de criar seus filhos. Em casa sempre tentamos seguir mais ou menos uma rotina, sem ser muito rígido, mas mantendo uma lógica diária. Clara também sempre foi muito acostumada a sair com a gente para qualquer lugar, está acostumada com barulhos e pessoas, além de já estar na creche. Ao mesmo tempo, o sono sempre foi o maior desafio dela pois sua vontade de curtir é tão grande, que ela resiste muito ao sono.

Nas viagens, resolvemos adotar alguns pontos que nos ajudaram.

1- Clara faz uma soneca pela manhã e uma pela tarde. Resolvemos que uma dessas sonecas, preferencialmente a da tarde, tentaríamos fazer no hotel/apartamento. Claro que não fomos extremamente rígidos com isso, mas quando rolava o dia ficava ótimo!

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Soneca em Brugges

2- O sono da noite mantivemos no mesmo horário do Brasil (ao redor das 20 horas) e fizemos a mesma rotina daqui (banho, mamadeira no escurinho, berço).

3- O item acima significou que quase não jantamos fora. Os únicos dias em que rolava, jantávamos mais cedo. Fora isso, comíamos no apartamento ou hotel (pensamos até em pedir Uber Eats alguns dias para experimentar comidas locais).

4- Sempre saíamos com carrinho e canguru. Revezávamos os dois e, claro, rolava paradas de vez em quando para ela poder ficar solta (desde que começou a engatinhar e andar).

5- A programação do dia era pensada para fazermos logo no início o que mais queríamos naquele dia. Assim, se ela tivesse cansada ou mais chorosa, poderíamos voltar ao apartamento/hotel tranquilamente, sem a sensação de termos perdido aquela visita imprescindível.

6- Somos muito tranquilos em relação a Vitamina S! kkkkk Clarinha nessa viagem da Europa engatinhou por muito chão, andou e caiu por muitos lugares, encostou em quase tudo que quis, interagiu com outras pessoas… Quando o nível de sujeira ficava muito grande, um lencinho umedecido  ajudava a limpar.

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7- Trocar fralda foi zero problema. Quase todos os banheiros tinham fraldários e, quando não tinha, trocava no carrinho ou no banco de trás do carro.

8- Numa próxima viagem maior, não pegaríamos vôos internos no horário da noite em que ela já está dormindo pois isso mudava a rotina dela e impactava o dia seguinte todo. Viajar de trem foi ótimo com ela mas também não faríamos trechos de mais de duas horas. Carro foi o melhor transporte pela liberdade que temos de escolher quando parar, quando sair de casa e quando voltar.

9- Muito importante numa viagem maior é tentar não mudar muito de hotel. Ficar uns 4 a 5 dias em cada lugar foi ótimo. A quantidade de tralhas que um bebê tem é grande e nos dias de troca de hotel sempre perdíamos muito tempo.

Por último, qualquer viagem com bebês requer um novo pensamento. É extremamente possível e muito agradável, mas vai ser diferente do seu modo de viajar antes de ter filhos. Não vai ser o mesmo ritmo frenético, não vai dar para sentar e ficar degustando tranquilamente seu prato de comida e bebida, vai ter paradas em lugares para eles curtirem que talvez você não parasse antes, você vai chegar cansado e não vai deitar e dormir, e sim, arrumar o bebê e todas as tralhas. Mas gente, é MARAVILHOSO!!! Ver os olhinhos de felicidade da nossa bebê, os sorrisos, o que ela desenvolveu nas viagens (Clarinha sentou sozinha em Aracaju, engatinhou em João Pessoa e andou na Alemanha!), a interação dela com as outras pessoas e, acima de tudo, curtir nossa família 24 horas por dia, realmente não tem preço.

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